sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Iconoclastia e barbárie

A disposição fundamentalista de destruir o espaço do simbólico representado por imagens religiosas revela uma incursão nos arquétipos da cultura, talvez o crime mais cruel que a barbárie comete pois que praticado contra a natureza humana, mais do que contra a sua existência.
Leio agora cedo a notícia publicada no El País segundo a qual um grupo de milicianos do Estado Islâmico (EI) destruiu várias estátuas possivelmente assírias e acádias existentes no museu de Mosul, no Iraque (leia também a reportagem do Opera Mundi a respeito). O fato não é novo, nem no Oriente Médio, nem no Ocidente (quem é que  não se recorda da explosão das estátuas de Buda, em 2001, no Afeganistão, pelos Talibãs) -, mas mantém características de intolerância que também dizem respeito aos brasileiros. Ou não é o mesmo sintoma esse impulso evangélico de repulsa à aceitação da alteridade que o presidente da Câmara dos Deputados manifesta como prática política de sua atuação?

Penso que em qualquer circunstância histórica em que a construção identitária se dá à margem das contradições sociais - como se a identidade fosse um processo exclusivo e autônomo do universo da cultura - ela é carregada de elementos fascistas - e se traduz na prática da destruição, da violência, da negação. É a pior herança do capitalismo pois é nele que se instala a desumanização das relações sociais. Não perdemos por esperar as consequências obscuras da chegada desse pessoal ao poder.

* Leia também: * Unesco pede reunião do Conselho de Segurança da ONU após destruição em Mossul * Querem apagar uma civilização
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