sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Leituras do Carnaval: o enredo do Parque Augusta


Concessões de Haddad aos interesses da especulação imobiliária coloca o prefeito entre os piores que a cidade já teve
Estou lendo nos jornais que Lula recomendou à presidente Dilma que busque um ponto de  entendimento com o atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha. É típico de Lula e tem sido típico do PT: buscar a conciliação com adversários de forma a garantir a tal governabilidade. De 2002 até agora, por isso mesmo, é o que temos visto: governos de extração social democrática fazendo o jogo dos grandes interesses financeiros. No caso de Eduardo Cunha, pior: passando a mão na cabeça do que há de mais reacionário e obscuro na política brasileira. Não demora muito - se é que isso já não está acontecendo - Cunha vira o virtual presidente da República, tal tem sido o isolamento político de Dilma. Aliás, Luiz Werneck Vianna, em entrevista ao site IHU, acha pouco dizer que o segundo governo Dilma deu uma "guinada à direita": foi um "cavalo de pau" afirma o sociólogo (leia aqui).

Pois não é que aqui em São Paulo está acontecendo a mesma coisa? Haddad, certamente por não querer contrariar o grande capital - que pode ser o avalista da sua candidatura à reeleição -, tem sistematicamente deixado em paz o jogo dos interesses privados que transformam a cidade em terra de ninguém: foi assim com o Plano Diretor, tem sido assim com a política de transportes; e no episódio mais recente envolvendo os interesses da especulação imobiliária a coisa acabou se repetindo no Parque Augusta cuja preservação integral foi deixada de lado pelo Conpresp. O prefeito pode não ter gostado da deliberação do Conselho... mas não mexeu uma palha para evitar o escândalo que ela representa.

Sugiro a leitura destas matérias:★ Lei determina Parque Augusta em 100% do terreno ★ São Paulo: mitos e verdades sobre o Parque Augusta 
 Parque Augusta: nova fronteira pelo Direito à cidade.
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