sábado, 7 de fevereiro de 2015

Mudança de rumo?

Ministério conservador, ausência de reformas estruturais e incapacidade de dialogar com ruas revelam ineficácia do sistema político e urgência de mais mobilização popular, diz o excelente artigo de Felipe Amin Filomeno. 
Mas as medidas de austeridade tomadas à esquerda já assustam o empresariado e podem alterar essa escrita.

Os jornais de ontem e de hoje trazem duas notícias que podem recuperar o otimismo num retorno do governo Dilma às suas origens sociais. Na onda da austeridade fiscal com que o ministro da Fazenda imagina fazer recuperar a economia brasileira - no mundo inteiro essa receita não deu certo, é bom que se diga -, há sinais de que a farra irresponsável das desonerações fiscais vai chegando ao fim: Joaquim Levy já adiantou que será obrigado a fazer cortes sentidos nos privilégios dos setores empresariais que engordaram suas margens de lucros com a história de que, pagando menos impostos, investiriam mais e, com isso, alavancariam a produtividade, o nível de emprego e... o PIB. Neste sábado outra boa notícia: o programa de crédito do BNDES à indústria deve ser suspenso (leia aqui).

Pura conversa fiada. As desonerações fiscais acumularam, em 2014, uma renúncia de impostos da ordem de R$ 120 bilhões, soma essa que foi transferida dos recursos da sociedade (pois essa é a função do Tesouro Nacional) para os recursos privados sob a forma da lucratividade. Os fatos estão aí: a produção industrial caiu 3,2% em 2014 (leia aqui) e o parasitismo da nossa burguesia colocou o país perto de um default vergonhoso. Ao mesmo tempo, os maiores bancos (sempre eles) elevaram seus ganhos a alturas nunca imaginadas (como se isso não estivesse acontecendo num país em recessão): o Itaú, vencedor da corrida, atingiu lucros superiores a 20 bilhões de reais, 30% mais que em 2013; o Bradesco ganhou 26,5% a mais que no ano anterior. Comparados com o índíce de inflação de 7% a que chegamos em 2014, esses percentuais dão bem uma ideia do paraíso financeiro em que o país se transformou.

Eu imagino que essa distorção que o capitalismo selvagem provoca na economia brasileira tem tal relevância no cenário encontrado pelos novos ministros de Dilma, que é bem possível que haja uma mudança de rumo no alvo da austeridade, embora a ameaça de cortes em programas sociais continue de pé (aqui). É possível, por que não? Mas os movimentos sociais têm que entrar em cena...

* Leia também: Tarifaço para arrumar as contas públicas afeta mais a baixa renda
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