terça-feira, 24 de março de 2015

Apropuc erra na análise das mudanças do Fies

Os interesses privados que tomaram conta do ensino superior brasileiro são os responsáveis pelo engodo vivido pelos estudantes e pelos professores - suas principais vítimas ao lado da própria sociedade. A disputa pelas verbas do Fies é parte de uma manobra para manter esse sistema inalterado.

Fiquei mal impressionado com a análise equivocada que a Apropuc faz (pelo menos a julgar pela matéria publicada no Puc Viva) sobre as supostas dificuldades que as "universidades" privadas estariam enfrentando com as mudanças introduzidas no Fies. Segundo o jornal, a contenção adotada pelo governo no repasse de verbas para as bolsas seria a responsável pelas dificuldades financeiras que atingem não só o benefício para os estudantes mas também as negociações do reajuste salarial dos professores.

Acho que a Apropuc está reproduzindo o discurso dos donos das "escolas" particulares que agora querem colocar os professores contra a moralização do Fies e, com isso, ampliar a pressão para que o governo continue despejando verbas, de forma irregular e sem controle, para essas empresas - tal como tem acontecido até agora.

Na verdade, para promover a concessão de auxílio aos estudantes - mal informados sobre de quem é a culpa pelas dificuldades que estão enfrentando neste início de ano - e para dar aos professores o reajuste salarial que estão obrigadas a dar, os vários subsídios do governo (além do Fies, isenções fiscais diversas, Prouni, créditos subsidiados do BNDES e ausência total de fiscalização sobre os abusivos aumentos de mensalidades) são amplamente suficientes, já que as empresas de "educação" superior acumularam anos a fio uma gordura financeira de deixar com inveja até mesmo as empreiteiras da Lava Jato.

No entanto, o problema é bem maior que esse: (continue a leitura)
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