quarta-feira, 29 de abril de 2015

1o. de maio: Dilma desiste de pronunciamento na TV e falará à população pela internet

Delicada a decisão da presidente; mais que delicada, incompreensível. Diz a matéria da Folha que os panelaços do último pronunciamento de Dilma é que motivaram seu recuo. Eu não acredito nisso. Acho que a presidente, que é do Partido dos Trabalhadores, deixou de falar aos trabalhadores no Dia do Trabalho por constrangimento político, já que é o seu governo o principal patrocinador de medidas econômicas que despencam sobre os ombros dos assalariados, sem falar na postura leniente (e conivente) com a selvageria da Câmara e dos empresários no lamentável episódio da aprovação do PL da terceirização, o 4330.

O 1o de maio é uma data histórica que carrega com suas festividades toda a simbologia internacional da luta contra o capital. Até mesmo em países de forte hegemonia burguesa, como é o caso dos Estados Unidos, que nem mesmo oficializam a data, o dia 1o de maio não passa em branco. O ocultamento da presidente da República e essa conversa de que ela falará ao ao país por meio das redes sociais não convence e é uma ofensa aos trabalhadores.

Da presidente da República o que se esperava era um pronunciamento contundente, tranquilizador, respeitoso e reverente com a própria origem social de seu partido e de seu mandato. No lugar disso, mais uma vez, Dilma deixa espaço para o vazio político e, com isso, agrava a crise de representação na qual o país vive desde o final do ano passado. Um prato cheio para os políticos aventureiros e empresários parasitas e aproveitadores do Estado, de Cunha a Temer, de Skaf a Paulinho. O Brasil não pode ficar nas mãos dessa gente, presidente. Venha a público e assuma o programa que deu origem ao seu mandato...

Leia também: Enquanto Dilma silencia no Dia do Trabalho, PMDB eleva o tom (El País)
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