sábado, 4 de abril de 2015

Gastos públicos em educação: não é mentira, mas também não é verdade

Numerália do UOL não consegue evitar o
vazio de sentido que provoca: falta análise
crítica dos fatos que os jornalistas imaginam ter
apurado (clique no gráfico para ampliar)
O UOL diz numa de suas edições deste sábado que o gasto público com Educação no Brasil "supera" o de países ricos e atingiu, em 2013, 6,6% do PIB. A matéria é um primor de desinformação, embora esteja muito bem acompanhada de infográficos - o que revela que o jornalismo de dados nas mãos de maus intérpretes pode levar o leitor a conclusões erradas.

Por que? Uma pequena nota de rodapé posta ao final da profusão de números que ilustram o texto aponta a essência do equívoco: os repórteres confundem gasto público com investimento e imaginam que o primeiro tem o mesmo sentido que o segundo. Está lá: os valores consideram dinheiro público alocados em apoio a instituições privadas, o que significa dizer que o "gasto", na verdade, constituiu-se em subsídios para o capital especulativo que a facção dos empresários do "ensino" abocanhou nas diversas modalidades praticadas pelo governo federal: Fies, Prouni, Pronatec, desonerações, isenções de vários tipos e créditos subsidiados pelo BNDES. É gasto, mas não é investimento.

A diferença entre uma coisa e outra fica quase apagada na matéria: "ter recursos não significa que eles estão sendo bem geridos", diz a coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, Rebeca Otero.

Em tempo: A professora Maria Sylvia Carvalho Franco publica no Aliás deste domingo aquela que considero a crítica mais contundente à política de financiamento das empresas que negociam diplomas universitários no Brasil: Malogros Educacionais. É de leitura obrigatória para quem se interessa pelo tema.
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