sábado, 9 de maio de 2015

Clientelismo e corrupção das práticas políticas como doutrina

Todas as vezes que o Aloísio Mercadante vem a público para dar alguma explicação sobre projetos, propostas, iniciativas do governo é um desastre. Talvez a culpa não seja inteiramente dele, mas na condição de ministro-chefe da Casa Civil, possivelmente o posto mais próximo da presidente da República, sua função se confunde com a de um porta-voz mais qualificado ao qual, naturalmente, são atribuídas prerrogativas maiores que as dos outros ministérios, entre elas a de traduzir "a voz do trono".

Em entrevista que concedeu ontem (6a feira, 8 de maio) ao Estadão, Mercadante não deixou por menos: segundo ele, o governo negocia o apoio parlamentar com cargos no segundo escalão, um toma lá-dá-cá que nos seus tempos de glória e de coerência política o PT denunciaria com veemência. Agora, não. A prática da governabilidade que deixa o país nas mãos dos interesses privados aparece como doutrina; o clientelismo erigido em sistema e a corrupção política como normatização ética.

Fico pensando nessas derrotas que Dilma vem sofrendo sistematicamente no Congresso, nos panelaços que a transformaram numa mandatária muda e temerosa, escondida em solenidades dos fundões do país, nessa maré de rejeição que vem alimentando um sentimento fascista em relação à democracia... Eis aí na fala irresponsável do ministro (mas repleta de arrogância), uma boa explicação para tudo isso. 
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