terça-feira, 19 de maio de 2015

Fies: o maior estelionato da história

Crescimento do Fies desde 2010 em contraste com a expansão da rede privada de ensino superior
 mostra que além de todos os males, o esquema também favoreceu a concentração do capital 
nas mãos de poucas empresas, fato que consolidou a situação de refém
 em que o sistema universitário de ensino
 vive nas mãos dos aventureiros do dinheiro fácil. Fonte: Estadão 

Entender o escândalo do Fies é simples: sob o argumento de custear as mensalidades dos estudantes nas escolas particulares de ensino superior, o governo criou um mecanismo de transferência de recursos financeiros para o capital privado instalado no setor. As empresas de educação, aproveitando-se da garantia com que esses recursos chegam aos seus cofres, fraudam o quanto podem as matrículas dos estudantes, em alguns casos superdimensionando demandas sociais para inflar o volume de bolsas e... faturar ainda mais.

O resultado é o que se vê: para que uma espelunca universitária funcione e se farte de lucros despoliciados não é necessário um único centavo de risco, um único investimento em ensino ou em pesquisa, nenhum tostão na qualificação e na remuneração dos professores. Basta estar inscrita no programa Fies.

O Fies é um escândalo que espanta não só pela simplicidade com que uma fraude financeira gigantesca está sendo cometida contra o Estado e contra toda a sociedade, mas também pelo crime que essas empresas - com apoio oficial - cometem contra todo o sistema educacional e em especial contra a juventude universitária que se endivida na compra de um direito. Um caso único na História: um Estado que abre mão de sua soberania num setor estratégico para a sociedade em benefício dos interesses da facção que controla o ensino superior.

Enquanto isso, diz a matéria do Estadão de domingo (corroborada por outra do El País), que universidades federais vivem à míngua, até mesmo sob o risco de desabamento de suas intalações. Já a Kroton, um dos gigantes que se beneficiaram do esquema, viu seus lucros líquidos subirem 56,9% no 1o. trimestre, uma margem escandalosa para a depauperada renda nacional e em volume que nem mesmo os bancos conseguem atingir (leia aqui a reportagem da InfoMoney).

Tenho uma sugestão: do governo FHC até o início da gestão de Renato Janine Ribeiro no MEC, todos os agentes públicos e privados envolvidos de alguma forma com o Fies deveriam responder por crime de responsabilidade pela forma como tripudiaram sobre o interesse nacional. 

Sugiro a leitura do melhor levantamento jornalístico sobre o tema até agora publicado na "grande" imprensa: Saiba o que acontece com o programa Fies (Estadão).
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