segunda-feira, 8 de junho de 2015

Proselitismo evangélico ameaça a existência do Rádio

Concessões ilegais das rádios para interesses privados - em especial para o proselitismo das "igrejas" evangélicas - ameaçam a existência do veículo como instrumento da informação e da democracia.

José Arbex discute comigo o tratamento que dou ao tema esfera pública no curso da PUC-SP. Seu argumento mais pesado é o fato de que, no plano midiático, a descaracterização do jornalismo que é praticado no Brasil tem esvaziado o conceito habermasiano  na sua configuração democrática e nas práticas racionais dos processos deliberativos. Para Arbex, a "mudança estrutural" apontada por Habermas continua provocando efeitos negativos e nem mesmo uma suposta revigoração das práticas permitidas pelas redes sociais é capaz de recompor a energia dos espaços virtuais de cognição da realidade.

Discordo desses argumentos: penso que eles se fundamentam numa visão pouco dinâmica e dialética dos processos sociais e políticos. Ao aceitarmos a tese de falência da esfera pública abrimos um pouco o caminho para a validação da ideia de "fim da História" sugerida por Fukuyama e conceituamos o capitalismo como um sistema refratário às contradições que o próprio Arbex admite que ele tem.

Mas aqui entre nós: é preciso passear no dial de um aparelho de Rádio - em qualquer frequência - para entender melhor o verdadeiro estado marginal em que a produção de grande parte das emissoras se transformou depois que passaram para as mãos das "igrejas" evangélicas. Além do fato de que todas as concessões transitam na contra-mão da Constituição e dos interesses culturais e laicos do Estado, há a negação e a violência praticadas contra o jornalismo, transformado num pastiche da pior espécie... instrumento de propaganda rasteira e divorciado de qualquer compromisso com a informação de interesse público. 
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