sexta-feira, 12 de junho de 2015

Receita investiga sonegação fiscal de escolas particulares

Distinção social, prestígio midiático, lobistas, recursos financeiros - um arsenal que até Al Capone usou até ser incriminado como sonegador fiscal. Foi quando a casa caiu...

matéria saiu no portal do Estadão. Depois da fraude do Fies, do estelionato do Prouni, dos privilégios de que goza por usufruir ilegalmente das prerrogativas constitucionais da autonomia (no caso das universidades), da precarização dos professores e do baixo nível do ensino e da pesquisa, uma parcela do ensino privado ainda reserva mais maldades contra a sociedade brasileira. Se comprovados os indícios de sonegação, estaríamos diante de uma disposição inventiva de deixar até mesmo empreiteiras, bancos e igrejas envergonhados.

Estou convencido de que a malha de interesses empresariais que impõe o padrão de conduta no setor e que tomou conta da Educação em todos os níveis constitui um complexo que afronta a soberania nacional e os interesses do país. Na perspectiva do tempo, contudo, os efeitos disso se localizam em danos que estão destinados a se reproduzir por gerações e são, justamente por isso, mais graves e permanentes do que qualquer outro crime. Não há forma de recompor a riqueza humana e intelectual que o país perde com a ação dessas "escolas".

Como em outros processos históricos, no entanto, em algum momento esse cenário pode se reverter - fato de que a própria investigação da Receita já é um indício. Mas ajudaria muito se o governo retomasse o prumo de suas responsabilidades e começasse a varrer a área...

* Aproveito o embalo e faço referência aqui a um tema que começa a ganhar dimensões de tragédia pedagógica: a disposição do governo do Estado de São Paulo em introduzir, já em 2016, mudanças no currículo do ensino médio deixando-o flexível de tal forma que os estudantes possam escolher o que é que querem estudar (leia aqui). A ideia é de um sonambulismo extraordinário e recebeu do jornalista Rogério Gentile, na Folha de ontem, uma boa análise. No fundo é uma proposta que incorpora a cultura mercadológica da satisfação da clientela como norte de sucesso. No caso do ensino, um suicídio que mostra bem os efeitos do espírito da privatização na organização curricular. O titular da pasta da Educação eme SP, Herman Woordwald, diz que a intenção é apostar no "protagonismo do aluno". O secretário não sabe o que está dizendo e fará um bem enorme para o ensino se deixar agora mesmo a função que ocupa...
______________________________

Nenhum comentário: