terça-feira, 16 de junho de 2015

Desorientação e resistência

É possível termos chegado à desorientação absoluta imaginada por Durkheim?

O editorial da Folha de domingo - Submissão - é um das raras ponderações liberais sobre o recrudescimento do conservadorismo no Brasil, mas me parece ingênuo. Primeiro porque acredita numa espécie de disposição naturalmente refratária à pauta obscurantista que a sociedade brasileira manifesta - pois ela é, diz o jornal, "mais complexa do que pretendem os mais conservadores". Não é. Vivemos há mais de uma década cultivando padrões de conduta arrivistas - no âmbito das práticas culturais e das práticas econômicas - que sintetizam e metabolizam hoje boa parte do preconceito social justamente nos setores em que se manifesta a complexidade apontada no editorial da Folha.

O segundo motivo da ingenuidade do editorial me parece ser o que inspira o título do texto. Lá no final torce a Folha para que diante dos "inquisidores da irmandade evangélica, [dos] demagogos da bala e da tortura [que] avançam sobre a ordem democrática e sobre a cultura liberal do Estado (...) não prevaleça a submissão". Não é o que se observa, infelizmente. No plano midiático e no plano da postura pública dos governantes, o que se vê é justamente o oposto: uma progressiva complacência atemorizada com os três segmentos que o jornal aponta.

Estou convencido de que as igrejas evangélicas representam hoje a maior ameaça à democracia e à cultura no Brasil, em especial por sua aliança com os grupos partidários da militarização do Estado e da segregação social como norma de convivência.

Ps: devo a atenção ao editorial da Folha à indicação do Ailton Fernandes.

Leia ainda: ★ Os párias educadores (Mauro Iasi) ★ Projeto quer criminalizar opinião dos professores (Carta Capital) ★ Caminhar no fio da navalha (Carta Capital) ★ Pensamento único na Escola e na Cátedra (Palheiro).

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