quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Hiroshima, 70 anos

Jamais a face do globo e a vida humana
foram tão dramaticamente transformadas quanto na era que começou sob as
nuvens em cogumelo de Hiroshima e Nagasaki
(Eric  Hobsbawm, A era dos extremos)

O lançamento da primeira bomba atômica sobre uma população civil comemora hoje 70 anos. Antes que essa indiferença diante da morte chegue, neste caso, a reproduzir aquilo que Hannah Arendt chamou de banalidade do mal - afinal de contas, a decisão de Truman (o então presidente dos Estados Unidos) foi eminentemente técnica e calculista: obter a rendição incondicional do Japão, jé vencido e estabelecer o primado do poder nuclear estadunidense na Ásia -, antes que aconteça isso e que nossos corações e mentes fiquem petrificados pela indiferença, é bom assistir ao documentário da estudante Natasha Li.

Os Estados Unidos, que emergem do pós II guerra como a nação munida da inspiração messiânica de libertar o mundo para si mesmos, com a bomba de Hiroshima - a little boy -, e também com a que foi jogada três dias depois sobre Nagasaki - a fat man -, conseguiram o título do país mais criminoso da História e ostentam o "mérito" de nunca terem sido julgados pelo crime que cometeram.

É claro, os tempos são outros... Será que são mesmo? Penso que o evento de 6 de agosto colocou o mundo definitivamente sob o terror nuclear, uma ameaça que não se dissipa nunca e que nem mesmo o fim da Guerra Fria conseguiu eliminar, ou esse acordo que Obama fez com o Irã recentemente não teria sido tão festejado. Seja como for, a marca de Hiroshima tem o traço inconfundível da advertência contra o imperialismo e contra o genocídio que ele é capaz de promover em nome de seus interesses.

Leia também: * Arsenal nuclear existente hoje é suficiente para armar casa país com 85 bombas atômicas (Opera Mundi) * Após 70 anos, bomba ainda mata no Japão (Estadão) * Para a máxima glória de Washington (The Nation) * Rosa de Hiroshima (Vinicius de Morais).
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