domingo, 23 de agosto de 2015

Impeachment de Dilma já era...

Ainda que na direção errada, parece que está dando certo o esforço da linha de frente de Dilma em dissolver na água as pressões pelo seu afastamento da presidência da República: depois da capitulação da área econômica diante da agenda neoliberal do Renan Calheiros, das reuniões esquisitas mantidas com os principais banqueiros do país, da ajuda de R$ 3 bi para o setor automotivo e do recuo da senadora Gleisi em taxar o lucros dos bancos, a imprensa finalmente trouxe notícias "positivas" sobre a ampliação da base de apoio do governo, vindas de dentro e de fora do núcleo duro que controla a vida brasileira.

Em entrevista dada à Folha, o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, assegurou que "não há motivos para tirar Dilma do cargo". O jornal, no entanto, se apressa em garantir que a tempestiva e aguardada manifestação do líder do Partido do Capital Financeiro (PCF) não representa apoio nem solitário, nem pessoal: a coluna Mercado Aberto adianta que os "grandes empresários ainda preferem evitar o impeachment de Dilma", fato que mostra que a presidente, depois de isolar o conspirador Paulo Skaf, ampliou sua simpatia na direção do Partido dos Empresários (PE). Já para o pessoal do Partido do Capital Estrangeiro (PCE), segundo o Estadão, o afastamento de Dilma é "improvável e indesejável" - pelo menos na opinião do pessoal de Wall Street ouvido pelo jornal. Parece que a questão está fechada em consequência disso, ainda mais depois dos efeitos que essa reviravolta tem sobre a conspiração do Partido Evangélico (PE) liderado por Cunha, Macedo e Malafaia.

Eu também acho que Dilma se mantém no cargo até o fim do mandato para o qual foi eleita. Não sei o que pensam disso os aposentados, os demitidos da GM, as escolas sem verbas para manutenção  em razão dos recursos irregularmente desviados para os empreendimentos privados no ensino superior. Também não sei o que pensam os trabalhadores que estão negociando, com a faca no pescoço, redução de horas de trabalho e de salários. É possível que a presidente, eleita em nome desses setores, volte para eles até 2018, numa versão adaptada do apelo de Fasto a Mefisto, e consiga salvar sua representação social, mas vai ser difícil: nem na mitologia isso aconteceu.

Em tempo: Diz a Bíblia que "toda a verdade será revelada" (Mateus, 10.26b). O que ninguém esperava tão cedo é que o enunciado fosse aplicado ao Eduardo Cunha, no momento ostentando o título de maior embusteiro do país (e parece que junto com ele está o vice-presidente da República): * Apoio a Cunha racha Força Sindical e isola Paulinho * Delator fala em relação de operador do PMDB com Renan, Cunha e Temer * Câmara já começa a discutir sucessão de Eduardo Cunha * Um deputado com tropa de choque, pitbulls e pau-mandados.
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