sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Apelo a facção empresarial pode agravar isolamento de Dilma

Jackson Pollock (1912-1956)
Uma analogia sugestiva, ainda que duvidosa, para representar o desencontro da  política com a realidade é procurar encontrar o fenômeno no campo da estética. No mural ao lado, Jackson Pollock abandona a pretensão de que seus traços possam representar alguma coisa, e faz um mergulho profundo no terreno abstrato. No campo da política, não estamos testemunhando o mesmo com Dilma Rousseff - uma perda de energia dirigente que a afasta de seu vínculo com a realidade e a leva numa queda livre em direção a coisa alguma?
(fonte Teoriografia)

Leio na Folha que na mais recente demonstração de que as coisas fugiram do seu controle, o governo vai sair em "busca de apoio da elite empresarial para conter a crise". É um gesto suicida, na minha opinião, pois tem sido justamente essa tal elite empresarial que tem apostado no boicote aberto aos dois mandatos de Dilma. Não há um único setor para o qual se possa olhar onde não se verifique uma sistemática disposição em adotar o lockout dos investimentos, dos compromissos fiscais, da supressão dos direitos...

Para quem não se lembra, é só recordar os discursos de Marina Silva e de Paulo Skaf na campanha eleitoral do ano passado para de dar conta disso. Ainda agorinha, foi o presidente da Fiesp o principal articulador da excrescência do PL da terceirização.

Estou convencido de que fora da perspectiva de uma virada radical na direção dos trabalhadores e também na direção de todos os segmentos sociais que constituem a extração eleitoral do PT e dos projetos de reforma social, o governo Dilma não sobrevive. Se sobreviver, não terá nenhum vestígio do desenho original que o inspirou agora e na eleição de Lula em 2002. Esse me parece ser o resultado de práticas políticas desideologizadas de um partido que chegou ao poder não para construir a contra-hegemonia dos interesses privados das elites brasileiras, mas para conviver de forma conciliatória e desorganizada com elas. A governabilidade inviabilizou o governo. O resultado é o que estamos assistindo. Faça uma conversão à esquerda, D. Dilma e a senhora vai ver como recupera sua representação popular nesse vazio político que se criou ao redor do seu governo.

Sugiro a leitura: * Nem, governo nem oposição têm a saída (Brasílio Sallum) * Os tucanos agem de modo muito irresponsável em relação à crise (José Arthur Gioannotti) * O governo, seus zumbis e seus fantasmas (William Nozaki, via GGN)* Um PT paralisado vê escalada da crise... (El País). 
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