quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A profecia que se cumpre na modernização periférica

Estou aqui com a curiosidade aguçada para entender o que acontece na Índia. Segundo o site Opera Mundi (que publica a foto ao lado), "milhões de pessoas" entraram em greve no país "contra as reformas trabalhistas". De acordo com a matéria, trata-se de um movimento de quer barrar as duras mudanças econômicas anunciadas pelo primeiro-ministro Narendra Modi. Claro, acompanho o noticiário sobre a Índia, mas não tenho  conhecimento profundo sobre as peculiaridades de seu processo social para ficar aqui deitando falação sobre a greve que os indus realizaram. 

O que me anima, neste caso, no entanto, é constatar que a modernização periférica - da qual o Brasil é vítima, tal como a Índia - tem um custo social que é incompatível com a ideia de um país "emergente", se por emergência entendermos um erguimento das condições de vida. De forma alguma: para essas elites dirigentes que tiram proveito privado de seu cosmopolitismo às custas dos trabalhadores, a tradução do conceito é outra: emergente é a subordinação dos estratos de baixa renda e produtores da riqueza social à determinação da acumulação global. É assim na Índia, mas é assim também no Brasil, na China, na Argentina, na Grécia...

Na minha aula de ontem à noite à propósito do multiculturalismo, mesmo antes desse contato com a matéria do Opera Mundi, vieram à tona situações concretas sobre as quais o conceito é construído e dos riscos que sua aceitação representa no apagamento simbólico dessa pauperização dos direitos que os tais países emergentes (uma categoria midiatizada que mais esconde do que revela) promovem. Os exemplos foram inúmeros, mas todos convergiram para a inviabilidade histórica desse ajuste do capitalismo: em algum ponto futuro a perspectiva de um colapso é bastante concreta. 

* Vale a pena ler a entrevista da escritora indu Arundhati Roy também publicada no Opera Mundi. Para a autora do premiado O deus das pequenas coisas, o drama da Índia é a simultaneidade de séculos diferentes numa mesma dimensão do contemporâneo. Só da Índia?
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