domingo, 27 de setembro de 2015

Espetáculo vaudeville: Marta Suplicy filia-se ao PMDB

A senadora Marta Suplicy assinou sua ficha de filiação ao PMDB. Foi uma cerimônia curiosa se levarmos em conta o estado de decomposição da política brasileira, pois que a protagonista do evento e a galeria de figurantes que a prestigiaram (Temer, Cunha, Renan...) dificilmente estavam levando a sério o que faziam. Aliás, o elenco todo e seu desempenho me fizeram lembrar os rostos macerados e decadentes de Os deuses malditos, de Lucchino Visconti.

Esse cenário de impostura ideológica, partidária, cívica ou o quer que seja, mostra o ponto a que chegamos, provavelmente indigno até mesmo das armações simuladas das velhas oligarquias que sistematicamente exibem e festejam a liturgia de seu apego incondicional ao poder. Que a senadora tenha entrado nessa, com todo o seu arsenal de conhecimento crítico e a severidade com que sempre o esgrimiu na esfera pública, é o que me causa espanto.

É sempre delicado falar em fim ou início de eras quando se trata de acontecimentos muito relevantes - até porque esse vaudeville da filiação de Marta ao PMDB não vai mesmo ter muito impacto na vida nacional -, mas nesse ambiente de xepa em que vivem nossas práticas políticas, a cerimônia de ontem foi exemplar,  e a senadora se adaptou a ela com extrema desenvoltura, como se tivesse se preparado para aquilo a vida toda. Será?

"O resto é saber se a Capitu da Praia da Glória já estava dentro da de Mata-Cavalos", perguntaria o velho  Machado de Assis.
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