sexta-feira, 9 de outubro de 2015

A falta que faz um ministro da Educação

A lógica que forma o todo não é a mera
soma das partes
Encontro no noticiário desta 6a feira a feliz observação de Renato Janine Ribeiro sobre o "desvio" ideológico que o programa de História da Base Nacional Comum curricular revela. Segundo o ex-ministro da Educação, a proposta traduz uma visão "brasilcêntrica" do nosso país  e praticamente ignora a necessidade de que o estudante desenvolva o aprendizado sobre o "trajeto histórico do mundo". Para ele, o jovem "precisa aprender sobre a Renascença, as revoluções, muita coisa. Mas não há uma interpretação única de nenhum desses fenômenos. E é esta diversidade que a educação democrática e de qualidade deve garantir".

Pois é... a ponderação traduz duas coisas, segundo consigo perceber. A primeira é a do perfil do professor Janine: o olhar posto sutilmente sobre um dos elementos que configuram o modismo pedagógico que valoriza o fragmento como fenômeno passível de se explicar por sua imanência, de onde essa universalização do particular, o "brasilcentrismo", tão prejudicial quanto qualquer centrismo. O que essa concepção de educação traduz nem é um desvio ideológico, mas uma pobreza metodológica conceitual profunda que põe por terra as correntes estruturantes dos processos sociais. 

A segunda coisa para a qual a postagem do ex-ministro em sua página do Facebook alerta é a do funcionalismo estúpido nas grades curriculares que se traduz na proposta abstrata da "integração" inter, trans ou multidisciplinar como ancoragem do factual, como se as partes pudessem resgatar a harmonia que o "pedagogo" ignora e não sabe construir. Isso, claro, quando o "integracionismo" não é mesmo um eufemismo para reduzir os custos da escola privada.

Será que Aloizio Mercadante sabe do que estamos falando? Em tempo: leia aqui o que eu penso sobre o retorno de Mercadante ao MEC.
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