sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Balanço do Santander: cadê a crise?

Feios, sujos e malvados, filme do italiano Ettore Scola (1976)
Não é a principal manchete do dia nem mesmo nos jornais especializados, mas o Santander acaba de divulgar o resultado que obteve nos últimos nove meses, no Brasil e no mundo. Aqui, em que pesem todos os fatores negativos que cercam a economia brasileira, o banco espanhol obteve um lucro líquido 22% maior que no mesmo período do ano passado (em suas atividades internacionais o resultado cresceu 36%). Levando em conta o cenário crítico em que o país se encontra e descontada a inflação do mesmo período, o balanço do Santander - que certamente será acompanhado com o mesmo brilho sinistro por outras instituições nacionais e estrangeiras - pode muito bem ser definido como um escárnio.

Para quem não sabe, escárnio é uma espécie de zombaria, uma manifestação de desprezo ou de pouco caso pelo outro (uma definição que apanho no Google). Pois não há como chamar de outra forma esse contraste entre o gigantismo do capital financeiro e o sufoco em que estamos metidos, a causa desse olhar para o longe da foto acima, a secular espera de que a limpeza do salão termine para ver o que nos sobra, uma consequência do caminho dependente e subalterno que as elites brasileiras impuseram à sociedade: somos um dos dutos que deixa o capital mais exuberante e o nosso cotidiano mais precário e pedinte.

Para o Brasil, isso é ruim sob qualquer ângulo que possa ser visto. E o que é pior: o escárnio sequer é motivo de discrição, pois que é feito com o estardalhaço de quem se vê bem-sucedido e com as mãos livres para sangrar uma sociedade inteira, eventualmente com a conivência de quem deveria protegê-la.

Reforma fiscal? Perda do grau de investimento? PIB negativo? Centro da meta inflacionária? Desemprego? Do que é mesmo que estamos falando?

Ps: os resultados obtidos pelo Santander figuram na série histórica de 2013 e de 2014. Não é demais lembrar que foi justamente o então presidente do banco, o já falecido Emílio Botin, que recomendou, num boletim de análise econômica da instituição, que Dilma não fosse reeleita à presidência da República. Para quem olha para tudo isso com um pé atrás, sugiro duas leituras: * 1% da população mundial concentra metade da riqueza de todo o planeta * Os 28 bancos que controlam o dinheiro do mundo (Outras Palavras).

Leia também notícias que falam sobre os lucros em outros bancos: Bradesco abre temporada de balanço de bancos com lucro de R$ 4,12 bi no 3º tri (Estadão) * Itaú Unibanco tem lucro líquido de R$ 5,9 bilhões no 3º trimestre (Estadão) * Lucro do HSBC dispara 52% no 3º trimestre Estadão


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