terça-feira, 13 de outubro de 2015

Espanha

O Rei Felipe, da Espanha, como seu pai o foi na transição para a democracia,
é o fiador da unidade do país e confere simbologia de maturidade às
instituições da representação política.
Bonito esse apelo simbólico à unidade do país feito nas comemorações do dia da hispanidad que os espanhóis festejam em 12 de outubro. Além de bonito, especialmente significativo em razão da aventura dos separatistas catalães.

É o mesmo país das manifestações de massa contra os governos social-democrata (Zapatero) e conservador (Rajoy), contra as políticas de austeridade que não deram certo e jogaram milhares no desabrigo e no desemprego, tudo isso e mais a chegada intempestiva dos refugiados africanos... Aliás, é o mesmo país onde o partido Podemos encheu de esperança os movimentos sociais de toda a Europa. No entanto, é impensável que os os espanhóis possam aceitar algum canalha para presidir a câmara ou que articulem manobras de baixo perfil político para o impedimento do governo. No limite, convocam-se novas eleições.

É esse o diferencial que o amadurecimento das instituições políticas provoca? Sei não... a Espanha saiu da ditadura franquista em 1975, apenas 10 anos antes que o Brasil se livrasse dos militares, e lá o regime fascista durou desde 1937. Tão perto quanto foram para nós as primeiras eleições diretas para governadores dos Estados (em 1982), houve em Madri a quartelada de Tejero contra a qual até mesmo a liderança conservadora (Adolfo Suárez) se aliou à liderança comunista (Santiago Carrillo) para afastar o perigo que o golpe representava para a redemocratização... (vale a pena ler Anatomia de um instante, de Javier Cercas, uma obra prima da literatura e do jornalismo espanhóis)

E nós aqui às voltas com Cunhas, Renans, Aécios... argh!!!
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