domingo, 18 de outubro de 2015

Playboy: nossas tias, primas e vizinhas deixam a cena...

Marilyn Monroe numa das muitas edições
internacionais da Playboy: revolução
cultural que liberou homens e mulhere
s no
mundo inteiro. Quem teve 12 anos sabe
do que eu estou falando..
Acho que ninguém deveria falar da cultura contemporânea sem antes ler o livro A mulher do próximo, do jornalista Gay Talese. O autor é velho conhecido dos círculos semi-acadêmicos brasileiros e, se ainda estiver vivo, volta e meia aparece por aqui para nos maravilhar com o seu vigor narrativo posto em inúmeras manifestações antes, durante e depois do fenômeno que ficou conhecido como new journalism, uma forma vibrante e impressionista de contar histórias de não-ficção, isto é, um produto híbrido situado entre o compromisso factual do repórter e os impulsos nervosos da linguagem literária. O resultado foi, desde os anos 60 (talvez antes), a explosão de uma galeria de escritores que deixou registrada uma das marcas essenciais da cultura do século XX. Todo mundo que se interessa por isso deveria ler o livro de Marc Weingarten, A turma que não escrevia direito, para saber mais sobre o estilo, as obras e os autores que pontilharam o fenômeno.

Em A mulher do próximo, a pretexto de contar a história das revistas eróticas nos EUA (uso esse termo aqui na falta de um conceito que consiga escapar da safadeza de todos os outros), Talese traça um panorama do que foi a revolução sexual que tomou conta do país desde os loucos (e conservadores) anos 50, e o ponto de partida para contar isso é uma antológica descrição imaginária (terá sido mesmo imaginária?) da cena de um garoto se masturbando diante das páginas da... Playboy. O livro vai bem mais longe e é um verdadeiro mapeamento de todas as formas de entrecruzamento que essas revistas acabaram por criar na ideologia conservadora/transgressora ou puritana/irreverente da sociedade estadunidense. As revistas eróticas - que ajudaram a instituir um novo padrão de comportamento sexual e a implodir a tradicional família mononuclear - fizeram mais pela modernidade do que o baseado. Quando a Suprema Corte julgou o caso da Hustler - contado brilhantemente por Milos Forman em O Povo contra Larry Flynt - o que estava em questão era uma somatória de contrastes culturais, mais do que a liberdade de expressão (continue a leitura).
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