terça-feira, 6 de outubro de 2015

Transpacífico...

A extensão geográfica do Transpacífico
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Estou assustado com o tamanho desse tratado comercial assinado ontem - o Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica. Um tratado que reúne 40% do PIB global sob a hegemonia dos EUA - que não largam o osso, como diz The Economist - já é uma manifestação do hiper capitalismo trovejante. Não sei se o Brasil poderia ter integrado essa zona, mas me impressiona a rapidez com que os economistas mais conservadores já decretaram os benefícios para quem entrou no bloco e os malefícios para quem ficou de fora. Tomara não se repita com o Transpacífico aquilo que ocorreu dentro do Nafta: a destruição da economia mexicana e o seu desaparecimento como nação soberana, entregue às montadoras e ao tráfico de drogas...

Vale a pena, por isso, observar com atenção a análise feita por Peter Petri, um desses economistas desconhecidos que nossa mídia de repente alça à condição de especialistas. O moço, de uma tal Universidade Brandeis (?), de Massachussets, afirma que "acordos comerciais fazem com que cada economia seja mais produtiva. Cada uma delas produz mais daquilo na qual é boa em produzir e menos daquilo em que não é boa, o que é importado de outros países. É uma série de mudanças estruturais, pelas quais cada economia move seu capital, trabalho e outros recursos na direção de atividades mais produtivas. Isso eleva o nível de produtividade de todos. O comércio não é um jogo de soma zero". Mas é bom lembrar:  os resultados obtidos pelos participantes no acordo, que são juridicamente iguais (como no sonho dos liberais clássicos), mas estruturalmente desiguais (como comprova a história do livre-comércio), só são vantajosos para uma das partes do processo.

Sugiro a leitura destas matérias: * EUA e Pacífico selam o maior acordo da História (El País) * EUA fecham acordo histórico de livre comércio com 11 países do Pacífico (Opera Mundi) * A superpotência não larga o osso (The Economista) * Acordo pode ter impacto imediato para a indústria (Estadão) * Acordo pode ditar nova integração mundial (Estadão)
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