segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Samarco: exuberância na destruição e no discurso

Wind Fence, cuja tradução quer dizer "barreira do vento", é o slogan
que a Samarco criou para a campanha em que se diz comprometida

com as pessoas e o meio ambiente. Os brasileiros que o digam.
(clique na imagem para ler o texto do anúncio na íntegra )
Tenho comigo em mãos a matéria publicada no UOL sobre as dimensões econômicas da tragédia provocada pela "empresa" Samarco em Mariana: diz  a notícia que o prejuízo da área afetada é apenas 25% do total de royalties que a cidade recebeu da empresa pela exploração do minério. Quer dizer, para cada R$ 100 milhões em reparos, Mariana já recebeu perto de R$ 25 milhões.

Vamos ver se eu entendi as duas interpretações que a notícia permite. A primeira: os brasileiros não têm do que reclamar já que a Samarco será punida com uma indenização 4 vezes maior que aquilo que já pagou por suas atividades. Portanto, o cálculo inspira uma certa compaixão com a subsidiária da Vale do Rio Doce: ela é vista na planilha do custo/benefício como a principal vítima do que aconteceu. Uma piada...

A outra interpretação é mais grave e não é piada alguma: a cidade de Mariana paga a prazo - e em escala - pela violência que a Samarco comete contra ela, como se a concessão pela exploração do minério fosse uma apólice de seguro preventiva. Mais que isso, a cidade, em retribuição aos royalties que recebe, autoriza a própria expropriação de sua riqueza... Sob esse ponto de vista, o crime cometido pela Samarco é apenas parte de um jogo jurídico de mercado e não há porque ninguém lamentar nada.

Essa é a lógica de toda a exploração de recursos da sociedade pelos interesses empresariais privados, e ela sempre se repete nas situações em que áreas estratégicas são permissionárias do Estado para atuarem. O lucro obtido pelas empresas que atuam dessa forma pode muito bem ser caracterizado como um tipo de royaltie que a sociedade paga para se ver expoliada: é assim com a Saúde, é assim com os Transportes, é assim com a Educação, é assim com os Bancos. Wind Fence, pois sim...

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