terça-feira, 24 de novembro de 2015

Um dano irreparável para o ensino da História

Comuna de Paris, 1871? Nada disso: a greve geral em São Paulo em 1917. Mais de 10 mil operários contra as fábricas da Mooca e do Ipiranga por melhores condições de trabalho. Esse movimento teria alguma coisa a ver com a Comuna? Tudo, exceto na cabeça dos caras que formularam a proposta do novo programa de História para o ensino médio.
Tenho em mãos a bela resenha do livro de John Merriman sobre a Comuna de Paris que Sylvia Colombo publicou hoje na Ilustrada. A Comuna é o fato emblemático da luta de classes na França da segunda metade do século XIX e para quem não teve ainda a oportunidade de conhecer o assunto, é um acontecimento de uma transparência extraordinária: uma insurreição de cidadãos (liderados por trabalhadores) contra o governo de Adolphe Thiers. Durante mais de dois meses, Paris ficou nas mãos de um poder revolucionário que só foi derrotado depois da cruel repressão que culminou com a morte de 15 mil rebeldes.

É claro que a resenha vem oportunamente a propósito dos acontecimentos da semana passada que, também em Paris, provocaram a morte de mais de 100 pessoas. Afinal, diz o autor do livro como que refletindo sobre essa sinistra linearidade francesa: "Paris já conhece o terror há tempos, o que é uma lástima. Em alguns momentos da história, foi o terror do Estado; noutros, o terror que extermina apenas porque o outro é diferente, de outra cor ou de outra religião" (continue a leitura).
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