segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O "Negócio da China" do século XXI

Alguém já imaginou um empresário vir a público garantir que seu país está em liquidação e que os investidores devem se apressar em investir por lá (seja onde for) porque os lucros são fartos e fáceis? Pois foi o que fez o comerciante Abílio Diniz em Nova Iorque (leia aqui a matéria da Folha). Para o ex-proprietário do Pão de Açúcar a hora da especulação é agora porque a economia brasileira está aberta a todas as aventuras em razão da crise política em que o país vive. 

Bonito exemplo nos oferece o Sr. Diniz. Da forma como essas suas afirmações soam como um sinal da bandalheira em que os empresários transformaram o Brasil, o exemplo mais próximo que eu encontro para uma analogia é o da China, país que viveu no século XIX um tal dissolução social e econômica em consequência da rapina promovida pelo imperialismo inglês que a expressão "negócio da China" passou a ser sinônimo de vantagem desmedida, de lucro fácil, de orgia financeira. As Guerras do Ópio (1839 e 1856), por exemplo, foram dois momentos que simbolizaram esse processo de destruição através da forma como os comerciantes ingleses introduziram o entorpecente entre os chineses como forma de suborno para seus negócios. Alguém poderia teria dito então: "a China está em liquidação. Aproveitem".

Tenho insistido no papel claramente predador que os empresários desempenham no Brasil. Aliás, estou convencido de que foram seus interesses privados que levaram nossa economia ao estado de colapso a que chegou (que o digam as montadoras, as empreiteiras, os bancos, os beneficiários das desonerações). As declarações ofensivas à dignidade e à soberania nacionais feitas por Diniz em Nova Iorque reforçam minha convicção.

* Sugiro a leitura da matéria do Estadão muito a propósito das declarações de Diniz: Com Brasil barato, estrangeiros avançam sobre empresas nacionais
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