sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Representação parlamentar conservadora torna-se ilegítima e divorciada do país

A notícia pode ter passado despercebida, apesar de sua gravidade: o deputado Marcos Montes, do PSD de Minas e presidente da Comissão Especial da Câmara que aprovou a revogação de Estatuto do Desarmamento, recebeu R$ 30 mil de duas empresas que fabricam armas, a Taurus e a CBC (leia aqui a matéria do UOL). Pra bom entendedor...

Marcos Montes é um esbirro insignificante, um beleguim de província, filiado a um partido de aluguel criado pelo Kassab como moeda de troca para rapinar postos no executivo. Semelhante a ele, só mesmo seu colega Fausto Pinato, do PRB de São Paulo, que foi escolhido como relator do processo aberto contra o punguista Eduardo Cunha. Pionato - com o título de deputado menos votado da Câmara -, é pau mandado de Celso Russomanno que, por sua vez, não faz nada se não for autorizado pelo Bispo Macedo, da Universal do Reino de Deus.

Dois cenários, dois momentos, dois assuntos aparentemente distantes, mas que resumem não apenas o fosso que há hoje entre o que o Congresso decide e o que a sociedade brasileira quer como índice de modernidade, mas uma espécie de sentido invertido que leva a extremos nunca imaginados antes - nem mesmo quando a ditadura criou a ARENA e o MDB - a crise de representação política em que o país vive. Até agora, esse vazio era sempre representado pela inconsistência dos partidos; os parlamentares atuais conseguiram transformar a desidentidade em patrimônio pessoal. Eles - pelo menos essa sucia - é que não representam coisa alguma de forma absoluta, quase perfeita, exceto o obscurantismo de suas posições.

Vale a pena ler os textos linkados a seguir. Temo (ou torço por isso?) que eles possam justificar um estado de  entorpecimento político que torna a indiferença - ou, o que é pior, o pouco caso - uma forma avançada de ideologia. Se não forem os movimentos sociais a atropelar essa conjuntura, sei não onde vamos parar...

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