quarta-feira, 4 de novembro de 2015

É assim que a riqueza social é sequestrada pelos interesses privados...

Os interesses privados criaram um verdadeiro sistema de drenagem através do qual se apropriam da riqueza social pela via indireta da isenção fiscal. Em linguagem comum, trata-se de um roubo. Em troca desses benefícios, os empresários transformaram o governo em refém da promessa de que os investimentos seriam feitos como alavanca para o crescimento econômico. Mentiram. O máximo que fizeram foi utilizar os recursos fiscais como capitalização de seus negócios. É por essas e outras que a política de ajuste fiscal de Dilma está errada: ela livra os punguistas do empresariado e agrava mais uma vez as carências sociais. Não há ciência que possa justificar isso (clique no gráfico para ampliá-lo)
O jornalista Fernando Rodrigues comenta hoje em seu blog um fato que desnorteia qualquer pessoa interessada em compreender as razões da crise econômica que paralisa o país. Diz ele, com base em dados da Receita Federal, que sob os dois mandatos do governo Dilma o total das desonerações promovidas como instrumento de estímulo ao investimento dos empresários chegou a R$ 342 bilhões, cifra três vezes maior que o déficit público que está servindo de pretexto para as duras medidas de natureza fiscal que a sociedade vai ter que encarar. Um gráfico disposto no artigo de Rodrigues permite que o leitor fique mais um pouco amargurado já que em perspectiva o total das desonerações desde 2010 (um ano antes da eleição de Dilma) chegará, em 2018, à casa dos R$ 501 bilhões.

Os estudos de História Econômica são fartos em demonstrar como o capitalismo se especializou, ao longo de sua existência, em sistematizar o sequestro da riqueza social como instrumento de acumulação através de vários mecanismos implementados no instante mesmo em que se dá a produção (pelos baixos salários ou pelo aumento das horas trabalhadas, por exemplo). O que ninguém tinha imaginado até agora era a possibilidade de que essa operação fosse executada a posteriori, isto é, pelo assalto ao recursos públicos pela via da desoneração, o que amplifica e potencializa todas as demais etapas de capitalização. Esta é uma outra jabuticaba brasileira: a hiperacumulação.

Leia também: * O sombrio legado da austeridade (Paul Krugman)
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