terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A pequenez e a solidão insuportável de Michel Temer


Não há nada de excepcional na angústia íntima que Temer
vive, como acontece com os personagens
trágicos de Shakespeare. O que há é só oportunismo...
Maquiavel dizia que aquilo que tem começo, tem fim. A dúvida de Temer é saber em que ponto desse caminho ele estará assim que sair da sombra...

O vice-presidente Michel Temer não é exatamente o que se pode chamar de liderança política; não é um sujeito determinado a mergulhar no olho do furacão para resgatar alguma ideia que o torne o herói vincitore que ousou enfrentar o desconhecido. Nada disso: Michel Temer é uma figura de segundo plano que os descaminhos não muito virtuosos da política brasileira levaram ao lugar onde está, mas como peça, não como dirigente da engrenagem. Diz a sua biografia que se não fossem os padrinhos e uma boa percepção do lugar à sombra que melhor o favorecesse não teria passado de um anônimo e obscuro advogado. Foram essas oportunidades que o talharam para ser o sempre vice, ou alguém já ouviu falar de alguma coisa que Michel Temer tenha dito ou feito que o tenha consagrado como uma personalidade fundamental no jogo das forças políticas?

Pois na crise em que o Brasil está mergulhado, pela primeira vez na vida Temer enxergou uma oportunidade de sair desse eterno 2o. lugar que a História lhe reserva - mesmo que seus passos inspirem comentários ácidos e anedóticos sobre os tropeços que o esperam. A carta que endereçou a Dilma ontem, um texto repleto de infantilidade e ressentimento, talvez seja o melhor exemplo da personalidade que ele evidencia ao tentar se explicar: na prática, abandona a presidente, mas, de público, disse que o que escreveu não é rompimento (leia aqui a repercussão humilhante do documento). Enquanto isso, vendeu aos empresários a ideia de que é uma "ponte para o futuro". Como os empresários brasileiros apostam em qualquer discurso que lhes assegure a ganância, saiu do encontro aplaudido. Ridículo...

Mas essa sensação ilusória de que sua hora finalmente chegou deve ter durado não mais que uma madrugada mal-dormida pelos vários sobressaltos que está vivendo, todos eles reunidos nas ameaças de que lhe tirem o doce da boca em consequência da esperteza dos analistas políticos, gente tinhosa e que sabe de tudo: nas redes ele aparece como sócio do golpepara Ciro Gomes, que nem é de esquerdaTemer é o capitão dessa armação inominável que quer afastar Dilma; e o PSDB já avisou: se o vice chegar à presidência, vai cassá-lo pelas mesmas acusações que agora são feias a Rousseff, já que, no exercício do cargo, entre novembro de 2014 e julho de 2015, também ele assinou decretos de crédito suplementar. Quem pegou no ar o que está acontecendo com Temer foi o jornalista Renato Rovai (da revista Fórum) para quem no final do filme, Aécio Neves já deixou reservada para o vice-presidente uma frustração sem tamanho: o mesmo destino que os tucanos querem para Dilma. Nem com toda a desfaçatez que Temer teve a "coragem" de cometer, nem assim ele vai conseguir chegar lá e superar a solidão de toda uma vida? Vamos conseguir ficar livres dele?

Leia também: * Michel Temer: o que a polêmica carta do vice-presidente não diz (El País) * Temer nega saída do PMDB do governo e diz que país vive "normalidade democrática" (Estadão) * Dilma procura evitar confronto e articula encontro com Temer (Valor) * Temer irá brincar com fogo? (Luis Nassif) * Carta de Temer vira piada (El País).   
______________________________

Nenhum comentário: