terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Capitalismo e democracia: caminhos opostos

Karl Marx foi o filósofo que definiu a incompatibilidade
entre o capitalismo e a democracia
(Leia aqui o texto da revista Jot Down sobre o tema)
Já vai pela metade minha leitura do livro A Comuna de Paris, de John Merriman (Rocco, 2015). Trata-se de um amplo painel sobre a revolta popular contra Napoleão III em 1871, mas o destaque é a reconstituição que o autor faz das condições sociais miseráveis que a explosão do capitalismo causou na capital francesa. Em determinado momento, em meio à segregação social que a reforma urbana de Haussmann provocou na cidade, já não havia mais dúvidas de que os franceses tinham se transformado em reféns de suas periferias e das áreas distantes do "mundo do dinheiro" representado nos bulevares e cafés que desenharam a França burguesa e opulenta. A Comuna - com seus 15 mil executados pelas tropas de Thiers - seria o preço pago pela construção de uma sociedade intolerante, arrivista e profundamente desigual. Para quem gosta da narrativa literária sobre esse período, mais do que a da escrita da história, o melhor é A educação sentimental, de Flaubert.

Este comentário está sendo postado a propósito de duas matérias que tiveram como elemento central de interpretação o cenário político latino-americano e brasileiro. Na primeira, o pano de fundo é a eleição de Maurício Macri na Argentina, em oposição a Cristina Kirchner. Para Peter Hakim (A morte do populismo latino-americano?), tem razão o jornal Chicago Tribune ao afirmar que a vitória do novo presidente argentino "marca o fim da idade de ouro da esquerda populista da América Latina". Venezuela, Peru, Chile, Brasil seriam os países onde estaria ocorrendo um esgotamento do modelo distributivista que sustentou as lideranças que dominaram o cenário político do continente pelo menos até o ano passado (continue a leitura).
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