quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Desprivatizar o Brasil...

Quando Edvard Munch concebeu O Grito (1893), 
não imaginava o que seria o
capitalismo no Brasil
Suborno, corrupção, fraudes fiscais, sonegação, privilégios, reserva de mercado, margens de lucros estratosféricas, burla dos direitos trabalhistas, desempenho medíocre, subsídios de todo o tipo. O Brasil foi sequestrado por essa turma e somos todos reféns de seus interesses...

Sinto-me mais uma vez contemplado pela contundência de Eliane Brum no texto Tarifa não é dinheiro, é tempo publicado no El País: com rara clareza, a jornalista constrói minuciosamente uma argumentação que não deixa dúvidas sobre de que lado está a razão no embate sobre o aumento das passagens de ônibus e sobre o sofisma do custo privado do transporte coletivo - que é, antes de qualquer coisa, um equipamento que cria riqueza social. Ao final do texto, a conclusão é incontornável: não há qualquer justificativa para que o setor seja explorado comercialmente por empresas particulares.

O transporte coletivo é apenas um dos setores da vida brasileira que se encontram estrangulados pelo controle que sobre eles exerce o interesse do capital. Agora mesmo, não satisfeito com o passa-moleque que tomou do consórcio "responsável" pelas obras da linha 4 do metrô, o governador Geraldo Alckmin foi humilhado mais uma vez e repetiu o papel de bobo da administração pública: as empreiteiras Andrade Gutierrez e C. R. Almeida abusaram de tal forma do descaso pela obra - pela qual foram regiamente remuneradas - que o Estado não teve alternativa senão cancelar o contrato da construção do monotrilho que levava a Guarulhos (continue a leitura). 
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