sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Passe livre: lucidez e inconsequência na gestão da cidade

Robert Crumb cedeu dois de seus trabalhos ao
MPL. O cartunista, que é velho conhecido dos movimentos da
contracultura nos EUA, sintetiza no seu traço forte toda
a dimensão da nossa democracia incompleta
(leia a coluna de Marcelo Rubens Paiva a respeito)
A ideia de que o Brasil precisa ser desprivatizado poderia muito bem ganhar seu primeiro contorno pelas mãos do prefeito Haddad. Que tal S. Exa. brindar sua administração com a expropriação das empresas de ônibus e socializar radicalmente o transporte público em São Paulo? Até agora, exceto em alguns momentos muito pontuais do seu mandato, nosso prefeito ficou na superfície dos problemas da cidade: seus gestos mais ousados nem mesmo arranham a gravidade do caos metropolitano que vivemos. Quando buscou um projeto estratégico, o resultado foi o maior presente que os interesses privados - em especial as empreiteiras - ganharam: o plano diretor da cidade. Uma coisa horrível...

Por isso, transcrevo abaixo 3 visões diferentes da crise que cerca as manifestações que contestam o aumento das tarifas e que configuram propostas diversas sobre o presente e o futuro de São Paulo: a entrevista que o próprio prefeito concedeu em torno das manifestações que exigem mudança na sua política de transportes durante a qual saiu-se com esse primor de irrelevância discursiva e: Para ter passe livre é melhor eleger um mágico; a sabedoria de Luiza Erundina exposta na matéria publicada pelo El País (Haddad não está resolvendo as coisas só porque faz ciclovias); e a carta aberta do MPL Nem aumento, nem tarifa: uma cidade aberta e democrática só existe para quem pode circular por ela.

A História reserva surpresas interessantes para as sociedades e às vezes faz eclodir transformações profundas que decorrem da disposição dos sujeitos políticos em mexer nas suas estruturas. É uma oportunidade de ouro para o prefeito.

Recomendo ainda: * MPL trava cidade para provocar "corja de empresários", diz porta-voz (Uol) * Passe livre total custaria R$ 8 bi por ano (Valor)
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Um comentário:

Arthur Gandini disse...

Faro, você está por dentro do rapa que acontece diariamente na cidade de São Paulo? Quem mais está sofrendo nas mãos do Haddad são os moradores de rua. Vou deixar aqui um texto que escrevi sobre: http://opcaopreferencial.igrejapaulistana.com/2015/08/como-prefeitura-de-sp-nao-se-importa.html

Grande abraço