sábado, 23 de janeiro de 2016

Platitudes

Substantivo feminino ( 1827)
1. qualidade do que é banal, trivial, do que é medíocre, do que tem pouca expressão. 2 característica do que é uniforme, regular, mas monótono (cf. Grande Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).
Assunto para as postagens não falta, ainda mais agora que o ministro da fazenda - que perdeu espaço em Davos e resolveu compensar a sinuca em que se encontra aceitando mais uma exigência dos bancos (liberar o FGTS para o pagamento dos empréstimos consignados...). 

Assunto não falta. Mas me chamou a atenção a postagem  publicada no Blog do Empreendor do Estadão - Para sonhar grande, é preciso parar de agir pequeno, com a assinatura de Marcelo Nakagawa, "professor de empreendedorismo e inovação do Insper e diretor de Empreendedorismo da FIAP". 
Com todo o respeito pelo esforço que Nakagawa desenvolve, a matéria, se puder ser chamada assim, é bem o exemplo do repositório de obviedades em que se transformou o discurso neoacadêmico que gira em torno de dois conceitos:  aquele que dá nome à nova especialidade do conhecimento e das práticas profissionais - o empreendedorismo (reduto dos self made men da pós-modernidade e um enclave do conservadorismo anti-social que contamina uma parcela significativa dos estratos médios da vida brasileira; e o conceito de inovação - que eu apelidei de pardalismo, tal é a voracidade com que seus defensores misturam inovação com inventividade.
Vale a pena ler o artigo e anotar o festival de lugares comuns associados a termos invariavelmente hiperbólicos que sonorizam mais pelo encanto retórico do que representam a realidade - sonho grande, revolução, sucesso, vitória, sabedoria. No final, o vazio dessa lógica é o que tem alimentado a cultura contemporânea. Uma pobreza intelectual infinita...
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