sábado, 30 de janeiro de 2016

Conselhão e cinismo: recursos públicos é que sustentam o capitalismo brasileiro

Esforço desigual: não há um único indício de que as elites
empresariais e financeiras assumam as soluções para que
o país saia da crise que elas próprias criaram
Não há novidade nenhuma na lógica que inspirou o pacote de medidas de "estímulo" à economia que o governo anunciou na 5a feria: no conjunto, o tal Conselhão (que me fez lembrar, pelo cinismo de alguns de seus integrantes, diversas cenas de O poderoso chefão, como foi o caso do Ceo do Bradesco com seu hipócrita aforismo lamurioso, pronunciado nem bem os resultados que o banco obteve em 2015 haviam sido divulgados), foi chamado para assentir e aplaudir mais do mesmo: transferência de recursos sociais para aliviar as empresas e tranquilizar os bancos. O gráfico ao lado dá bem a ideia da alma da iniciativa do governo: dos R$ 83 bilhões anunciados para salvar o estado de anorexia do nosso capitalismo, 49 bilhões (ou seja, 69%) são patrimônio dos trabalhadores - o FGTS; o restante vem do BNDES e do Banco do Brasil, que também trabalham com dinheiro público. Ou seja, 100% do apoio a empresas e bancos são recursos da sociedade brasileira. E nossas elites ainda falam em redução da carga fiscal...

Os economistas que estão do lado de fora,  no entanto, não perdoam e mostram, tecnicamente que o equívoco das medidas está na análise equivocada que as inspiraram. Sobre isso, o jornal Valor Econômico publicou uma boa resenha das restrições com que o pacote foi visto, especialmente na área acadêmica (leia aqui): se estiverem certas, as críticas podem nos fazer concluir que o pacote é um sedimento civil para consolidar a percepção de que a tese do impeachment gorou e que, mais uma vez, nossa estabilidade política cobra o ônus da conciliação com os interesses do capital para que seja superada. 
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