terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Que sufoco...

Tento recomeçar as atividades em 2016 depois de quase um mês perambulando por aí. Não é muito simples: as peças não mudaram muito sua posição e, em linhas gerais, parece que o período das festas não foi suficiente para algum encaixe otimista de perspectivas. Minha única convicção - bastante consolidada pelas leituras possíveis do noticiário - é a de que os empresários são mesmo os principais responsáveis pela invenção da crise brasileira e continuam vendendo para a sociedade a ideia se que sem o atendimento das suas "reivindicações" não há saída,  o que nos transforma - a começar pelo próprio governo - em reféns da concentração da renda e dos privilégios fiscais de que nossa burguesia se beneficia. 

Acho que duas análises me parecem fundamentais para entender essa lógica (O governo enxergará sua única saída? e Assim se desfaz a herança do Lulismo), mas são os fatos - mais do que sua interpretação - que demonstram que o agravamento da crise recompõe a estratégia fundamental da acumulação, tanto no plano da formação das reservas financeiras do empresariado quanto no plano da contínua transferência de renda pelo caminho dos benefícios fiscais e da política de austeridade que vem sendo implantada por Dilma - com a irônica constatação de que mais se isola a presidente quanto mais se enrosca nas concessões que faz aos interesses privados, ainda que arrisque gestos de ousadia na recomposição das aposentadorias, por exemplo.


Minha intenção nestas primeiras postagens do ano é aprofundar a análise que fundamente a hipótese com a  qual trabalho no curso de Brasil Contemporâneo deste semestre: a possibilidade de que um desfecho conservador da crise política (com ou sem o afastamento da presidente) se dará com a chancela do PT, mesmo que à revelia dos movimentos sociais. Enquanto isso, vale a pena observar o tratamento que a mídia dá a esse conjunto de contradições - maximizando o déficit fiscal provocado pelos empresários, desqualificando o nível da renda com a crítica à elevação do salário mínimo, enaltecendo as arbitrariedades do CEO argentino e até mesmo criando novas mitificações no campo do jornalismo. É um sufoco...

Sugiro ainda outras leituras e faço votos para que todos tenham um ótimo e esperançoso 2016.

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