quarta-feira, 9 de março de 2016

Formação universitária brasileira: nem muito pra cá, nem muito pra lá

A revista Pesquisa Fepesp publica no seu número de fevereiro um dos mais interessantes estudos sobre os desafios que a Universidade (seja ela pública ou privada) enfrenta para cumprir com os propósitos que justificam historicamente sua existência (embora as particulares, em sua maioria, não estejam nem um pouco preocupadas com isso): o desnível na formação dos estudantes tanto na parte acadêmica quanto na parte específica da qualificação esperada de cada carreira.

O quadro precisa ser lido com cuidado, mas em linhas gerais mostra uma assimetria que se é virtuosa nos conhecimentos específicos de profissões de elevada densidade aplicada (relativamente ao conjunto de conhecimentos acumulados entre o início e o fim do curso - como é o caso da Medicina -, é deficiente em outras aparentemente sem a mesma importância prática - como é o caso da Comunicação Social. Se fosse possível simplificar, o resultado do estudo diz mais ou menos que os Médicos sabem o que fazem, embora tenham deficiências em sua formação geral; jornalistas agregam pouco à sua especialidade, embora acumulem melhor conhecimentos de natureza essencialmente acadêmica. No final das contas, sendo verdade o que a pesquisa mostra, a Universidade brasileira forma profissionais embrutecidos na solidariedade social que se espera deles; talvez uma instituição cuja principal anomalia pode ser o desconhecimento da própria realidade em que vive.

Vale a pena ler o texto: Aprendizado técnico na frente, matéria de Marcos Pivetta (Revista Pesquisa Fapesp, 240, fevereiro de 2016).
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