domingo, 13 de março de 2016

Crônica das águas de março


* Fascismo da Globo coloca o País em pré-guerra civil (Brasil 24/7) Concessionária de serviço público, a Globo usou seus telejornais para incitar a população a ir às ruas para tentar derrubar a presidente Dilma Rousseff na noite de ontem; Globo foi também a primeira a receber o grampo ilegal contra a presidente Dilma Rousseff divulgado pelo juiz Sergio Moro; nos conflitos registrados ontem, ciclistas e um casal foram agredidos porque tinham a aparência de petistas; "Era isso que queria a Globo com a divulgação de vazamentos sem apuração e a cobertura de protestos com todos os links e câmeras dando palco para animais raivosos em bandos?", questiona o jornalista Kiko Nogueira, diretor do DCM; movimentos sociais devem ir às ruas em defesa da democracia e há risco de confrontos nas ruas (leia tudo).


* Marta Suplicy está pagando caro por sua vaidade, oportunismo e desfaçatez. Tentou faturar uma frustrada tentativa de um discurso incendiário contra Dilma, a mesma presidente que a acolheu no ministério quando ninguém a queria por perto. Seu isolamento é tão grande que não deixaram nem que a senadora falasse: foi ruidosa e humilhantemente vaiada. Tomara que os caciques do PMDB lhe deem a candidatura à Prefeitura de São Paulo para o eleitor sacramentar o fim de sua carreira política.

* Também Aécio e Alckmin levaram o troco na Avenida Paulista. O ex-governador mineiro, e candidato derrotado por Dilma nas eleições presidenciais do ano passado, foi chamado de vagabundo e corrupto. Alckmin - que não consegue explicar até agora o que foi feito da merenda escolar - recebeu tratamento semelhante. Aliás, também o candidato do governador à prefeitura (Dória Júnior) sentiu o que o espera: foi impedido de falar numa palhinha que pensou aproveitar em algum palanque.

* Luis Nassif está uma fera com o verdadeiro colapso que o bom jornalismo vem sofrendo na cobertura da crise. O exemplo de hoje é o descomedimento do Sardenberg que abandou o compromisso da profissão para especular sobre uma possível prisão de Dilma em Curitiba. Não foi exatamente o que ele disse, mas foi o que insinuou. 

* Josias de Souza reproduz hoje em seu blog uma fotografia de rara felicidade: o triunvirato que ocupa toda a linha sucessória da presidência da República, caso Dilma venha a ser afastada do governo. É difícil imaginar que sejam esses os escroques que nos arriscamos ter no comando do país: Cunha, Renan e Michel Temer. A foto é ótima, mas melhor ainda é o texto do repórter pela contundência com que trata o caráter desses três.

Cena antológica da crise que o Brasil viveu em 1961: João Goulart, ao centro, de braço erguido, ladeado por Tancredo Neves e por Leonel Brizola. Foi preciso que o Rio Grande do Sul se rebelasse para garantir a posse de Jango, mesmo assim com sua autoridade limitada pela criação do Parlamentarismo. Perderam a aposta no golpe os mesmos setores que hoje estão dispostos a derrubar Dilma. Talvez seja o caso de uma nova Rede da Legalidade para consagrar o respeito absoluto ao voto popular.
* O PSDB talvez seja o partido com menor cacife para se candidatar ao butim da crise política. Seu único trunfo é o 2o. lugar no resultado das urnas de 2015, mas 2o. lugar não dá autoridade para ninguém, ainda mais depois do repúdio que Aécio sofreu nas manifestações de hoje. Apesar disso, no entanto, os tucanos parecem apostar numa saída para a crise semelhante àquela que tentou inviabilziar a posse de Jango depois da renúncia de Jânio: o parlamentarismo. Vale a pena ler a análise de Vinicius Torres Freire publicada hoje no Uol: O golpe do parlamentarismo, bis.

* Porreta e contundente está a coluna de Elio Gaspari na Folha de hoje: Há um golpe no forno. Segundo Gaspari, no laboratório da conspiração, surgiu a ideia de uma reforma constitucional que instituísse um regime híbrido (semipresidencialismo ou semiparlamentarismo) suficientemente esponjoso e flexível para alojar toda a facção da direita brasileira. Para o jornalista, da mesma forma que para Vinicius Torres Freire, a manobra não passa de tentativa de golpe. Leia também Do impeachment às eleições gerais (Raimundo Costa, no Valor) e Há grupos querendo tomar o poder fora das regras democráticas (Vivaldo Barbosa, no Valor).

* Curiosidade: as imagens da babá empurrando o carrinho de bebê (sem qualquer intenção de brincar com os dois substantivos) na passeata logo atrás de seus "senhores" viralizou na rede. Aconteceu a mesma coisa com a foto do grupo que, paramentado de verde e amarelo, saboreava uma champagne em pleno calçadão, no meio dos protestos. A Folha comprovou a veracidade de uma possível sociologia das panelas na matéria Protesto cresce, mas manifestante mantém perfil de alta renda. Vale a pena ler. Sugiro também a leitura do artigo de Pablo Ortellado, Liderança perigosa, também na Folha, sobre a disposição anti-democrática e anti-social de segmentos expressivos da liderança do movimento contra Dilma, e o texto do Valor Econômico também sobre a composição social das manifestações: Elitizadas e sem líderes, manifestações são diferentes das de 1992.


* A propósito da bucólica cena da babá, leia também: Quem é Cláudio Pracownik (Revista Fórum) e Banqueiro é quem aparece na foto símbolo dos protestos (Rio 247)

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E essa saudação, lembra o quê?
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