segunda-feira, 28 de março de 2016

Em defesa de Dilma Rousseff e da legalidade constitucional

A conjuntura brasileira me parece absolutamente transparente: acabaram-se as ilusões da conciliação que durante tanto tempo foi a responsável pela hegemonia de nossas elites. É possível que o país esteja próximo de um ponto de ruptura além do qual todas as dimensões da dominação - ou todos os seus disfarces - sejam postos abaixo sob o controle de duas forças que me parecem inconciliáveis: as que representam o capital e as que representam os valores do trabalho, alguma coisa parecida com uma queda de braço entre a República e os interesses privados.

As ruas neste dia 31 reforçam o apoio a Dilma porque a ameaça que se esconde na tentativa de derrubá-la é um golpe que representa um retrocesso impensável em relação às conquistas (ainda reduzidas) que a sociedade brasileira fez desde o fim da ditadura militar, entre elas uma legalidade constitucional cujo eixo fundamental é o do respeito à vontade popular manifestada em eleições livres e diretas. Romper com isso é um golpe inspirado naquilo que de pior nossas elites representam. 

Sugiro estas leituras: Crônica das águas de março (do blog) * O corpo de delito do golpe (Miro Borges) * Listão da Odebrecht põe a nu esquema de corrupção da direita, mas some das manchetes e silencia a mídia (Outras Palavras) * Para Singer, Dilma faz bem em resistir e Lula está vivo (Brasil 247) * Para BBC, Cunha afastar Dilma é um escândalo * Embaixada da Itália detona revista Veja: nem foto é verdadeira (Brasil 247) * A batalha do STF (do blog) * Onde foi que erramos? (Bresser Pereira, Ilustríssima) * Dilma Rousseff's watergate (Al Jazeera) * O Brasil está sendo engolido pela corrupção e por uma perigosa subversão da democracia (The Intercept) * Tales Ab'Saber: "Impeachment artificial faz Brasil abrir fraturas expostas" (El País)* A voz da periferia (El País) * Fim da Nova República? (Carlos Eduardo Martins) * Brasil será incendiado por greves e ocupações (Boulos, Estadão) * Boulos: o Paraguai é aqui (Outras Palavras) * Os atos pró-democracia e a narrativa do golpe na grande mídia (Intervozes, via Carta Capital) * As contradições de Gilmar Mendes (Miro Borges) * Boaventura: Brasil ainda pode evitar novo golpe (Outras Palavras) * Corinthiano ladrão: a política que começa na segregação e termina na violência (Christian Denker, Boitempo ) * Aprender com a História: Braços civis de uma intervenção militar (Revista Fapesp).
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