segunda-feira, 28 de março de 2016

Trump: modelo de empreendedorismo e de sociabilidade do século XXI

Donald Trump, em 1988: ambicioso, arrogante, prepotente,

preconceituoso e ultra-conservador. Um ícone do
empreendedorismo, como deixa entender o jornal El País
(leia aqui)


O capitalismo produz coisas boas, ou não teria sobrevivido até aqui, tantas são as coisas ruins que tem que superar o tempo todo. Mas produz, acima de tudo, um ranço conservador de sociabilidade que vez ou outra nos faz ter certeza de que é um sistema voltado para as empresas e não para os homens. Donald Trump - aí ao lado, já estufado de sucesso - é um exemplo disso. 

Deste lado do Atlântico, no entanto, sua figura se transformou em modelo; e agora, com sua ascensão vertiginosa na corrida republicana para a Casa Branca, é capaz de se consubstanciar num ethos do século XXI, padrão de ensino e de comportamento, como já ensaiava no mal-educado programa de televisão que o celebrizou ainda mais - O Aprendiz: uma espécie de roteiro do arrivismo e da humilhação dos "perdedores".

Ensaiei uma pequena análise sobre os diversos conteúdos desse padrão cultural num artigo publicado na revista Giz, do Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-Sp). O objetivo foi mostrar como é que o receituário trumpiano está provocando o pior dos males com sua incorporação às práticas pedagógicas do ensino superior. É a minha contribuição para essa tarefa que julgo fundamental: afastar essa ameaça antes que elas nos torne desconhecidos de nós mesmos. Sugiro a leitura: Empreendedorismo e formação acadêmica
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Um comentário:

Anônimo disse...

Suas observações são assustadoras como são uma série de coisas desse mundo pós moderno, sou do curso de jornalismo noturno da PUC 1º semestre. Em nossa aula passada, vc deve recordar que uma garota defendeu a "universidade a serviço do mercado de trabalho" e argumentou ingênua, porém respaldada por esses conceitos sobre o deus (do mal rsrs) mercado. É difícil pensar no futuro das universidades, dos conceitos pedagógicas, olhando para esse pensamento empreendedor, mercadológico, picareta e cruel. O pior, no meu ponto de vista, não é nem a auto destruição psicológica, ideológica, social, humana, etc... mas a chatice que vai virando esse mundo homogêneo de homens de camisas e gravatas e mulheres de taiers, com seu gels, celulares, carrões, cada vez mais robotizados (as), sem possibilidades de se quer um papo informal com algum nível de reflexão. Um cotidiano sem personalidades, apenas o culto as celebridades.
Valeu pelo texto, seu blog discute assuntos muito modernos e amargos... sempre que entro pra pegar um texto fico tentado a ler outros, porém estou sempre na hora do trabalho, ainda assim dá pra refletir um pouco e escolher ao menos um para uma leitura, obrigado por isso, grande abraço!
Cláudio
marvaoliveira@yahoo.com.br