sábado, 12 de março de 2016

Hipocrisia à solta (*)

O ponto de inflexão da esfera pública
representado por esse jornalismo
talvez não possa mais ser superado
Complexo midiático e jornalístico conservador construiu um conjunto de signos verbais e não verbais que ocultaram uma das operações mais transidas da história política do Brasil. Por trás dela, os interesses retrógados da "nossa" elite empresarial que sangrou Dilma Rousseff à exaustão.

Um campo profissional sai bastante fragilizado desse processo: o jornalismo. A capa da Veja desta semana (12/03/16) e o texto que ilustra a matéria principal da edição - Lula: a serpente acuada - mostra que a imprensa tradicional deixou a sociedade brasileira de joelhos.

Não vem nem de Delcídio Amaral nem de Michel Temer as maiores manifestações de pusilanimidade neste momento de iminente ruptura institucional que o Brasil vive. Desses dois, tudo o que vêm fazendo já era previsto. A pusilanimidade mais acintosa vem dos empresários;  aliás, como já se esperava. Nossas "classes econômicas" - na verdade uma elite a-ética de baixíssimo poder de acumulação capitalista, parasitária das benesses do Estado e desprovida de qualquer projeto de desenvolvimento, não fez outra coisa, em toda a nossa História, senão boicotar  todos os governos que ameaçaram cortar-lhe os privilégios e adotar medidas que pudessem mexer na estrutura da distribuição da renda nacional.

Foi assim com Getulio em 1954; foi também assim com Goulart em 1964; tem sido assim durante todo o governo do PT desde 2003, embora tenha surgido por iniciativa do próprio Lula e equipe uma política de aproximação conciliadora que criou o mito de uma "união nacional" que nunca existiu. Na verdade, vistas as coisas de agora, em especial no último mandato de Dilma e nos meses iniciais deste novo período, os empresários de todos os setores não fizeram outra coisa que não tenha sido conspirar.

Esse fato vem à tona agora em toda a sua evidência com o noticiário de hoje estampado nos principais jornais. Entidades convocam associados para atos, diz o Estadão, dando conta de que campeões da desoneração fiscal, da burla da legislação trabalhista, das práticas de crimes contra o consumidor, de crimes ambientais, das estratosféricas margens de lucro e da sonegação intitulam-se agora defensores do Brasil, justamente eles que são os responsáveis pela crise econômica em que nos encontramos.

Eu sugiro que o usuário do blog mate a curiosidade e procure responder à pergunta quase retórica: quem foram os beneficiários dessas notícias postas abaixo?

Desequilíbrio fiscal brasileiro e as consequências do financiamento da dívida. Entrevista especial com Fabrício Augusto de Oliveira * Governo pode perder R$ 116 bi com desoneração- Estadão *Dilma deu R$ 458 bilhões em desonerações - 06/09/2015 - Folha de S.Paulo * Impostos: quem paga o pato não é a Fiesp * Governo acaba com Bolsa Empresário e fica com dívida de R$ 214 bilhões - Folha de S.Paulo.

(*) Hipocrisia: o estado de alguém que oculta a realidade atrás de uma máscara de aparência. Digo que sou o que não sou em proveito daquilo que realmente sou. Possivelmente uma virtude essencial para presidir a FIESP, por exemplo.

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