sexta-feira, 18 de março de 2016

Notícias da rua e vozes do covil

Esse ar seguro e cheio de orgulho da moça que empunha
o precário cartaz do seu ídolo é de uma realidade
imperativa e revolucionária inescapável.
O empresariado brasileiro não tem
a menor ideia do que isso significa...
Eis aí ao lado o enigma que nossas elites não conseguem decifrar, nem mesmo com toda a manipulação discursiva e simbólica anos a fio batendo nos corações e nas mentes de uma massa imensa de brasileiros para os quais a Avenida Paulista é o palco do seu desfile e orgulho e não o esconderijo do capital.

Acompanhei um bom pedaço das manifestações de hoje à tarde e praticamente durante todo o tempo minha atenção ficou voltada para a diversidade social do cenário, bem ali diante da sede da FIESP, o verdadeiro covil de golpistas cujo único projeto tem sido a apropriação privada da riqueza nacional e a liquidação dos direitos dos trabalhadores. Essa proximidade dos opostos, da moça que pede para que Lula resista na frente da pirâmide onde se esconde o empresário conspirador,  me pareceu disfarçar um abismo intransponível.  Torço para que esse eterno retorno mítico do herói - que é mais ou menos o que a manifestação de hoje simbolizou - rompa com a utopia de um Brasil unido - como o ex-presidente, mais uma vez equivocadamente, acenou no palanque da Paulista.

Enquanto isso,  dá para ouvir o mugido esganado do empresariado na leitura destas matérias: * Não se pode governar o País sendo analfabeto (Fernando Henrique Cardoso) * Qual democracia? (Boitempo) * Desnudando o 1% brasileiro que não paga impostos (Outras Palavras) * O que está em jogo (Outras Palavras) * Sobre violência e manifestações, um relato triste (GGN). O fascismo do século XXI e o papel da classe média (Carta Maior) * A emergência da defesa da declaração dos direitos sociais (Boitempo).
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