sexta-feira, 29 de abril de 2016

A identidade de um possível governo Temer é de chorar...

A pior história não é 
Eduardo Cunha virar presidente no caso
 de um afastamento de Temer (uma viagem, 
por exemplo); a pior história é Cunha ser
 convidado para chefiar a Casa Civil.
É colocar o ladrão dentro do cofre.
As notícias sobre os arranjos que Michel Temer tem feito para conseguir levar à frente o golpe e se instalar - à revelia da Constituição - na Presidência da República são todas elas motivo de medo, tal é a profusão de compromissos de todo o tipo, invariavelmente reacionários, que sinalizam dias muito ruins para a sociedade brasileira.

O primeiro bloco dessas informações diz respeito ao ordenamento econômico e fiscal: na linha do equilíbrio orçamentário, Temer avisou que vai rever programas sociais, já que esse é um dos grandes motivos da conspiração que procura afastar Dilma do governo (leia aqui a matéria do Valor Econômico). Segundo Ricardo Paes de Barros, mentirosamente apontado por Temer como um dos criadores dos projetos do PT (leia aqui), o corte será linear em vários setores: da alimentação à educação. O desenho da sustentação de um eventual governo golpista parece confirmar, portanto, que seu fundamento econômico será o de interromper e desfazer a transferência de renda que ocorreu desde 2003 na direção dos setores de baixo poder de compra. Sem tocar no sistema de parasitismo fiscal dos empresários, alocando mais recursos públicos para o setor através das PPPs, a conspiração parece encontrar aí a sublimação que lhe deu origem.

O segundo bloco é o da colcha de retalhos em que vai se transformando o apoio político-partidário que Temer está desesperadamente procurando, além dos grupos que descaradamente o procuram (o caso do PSDB chega a ser humilhante). Não há ninguém que possa ser levado a sério entre os "convidados" para integrar um eventual ministério golpista, ou pelo menos ninguém que possa ser levado a sério na pasta que ocuparia. Afinal, o que é exatamente que Serra faria no Itamaraty? E Moreira Franco no "núcleo duro do poder"? Moreira Franco? Mas há exceções: ninguém tem dúvida sobre o que faria no Ministério da Agricultura um picareta como Ronaldo Caiado, nem sobre quais os prejuízos que os trabalhadores teriam com o Paulinho da Força no Ministério do Trabalho. A articulação golpista pode ter imaginado, em algum momento de euforia com a queda de popularidade de Dilma, que a desmoralização dos espaços de representação política não a atingisse... Na verdade, é oposto o que ocorreu: Temer desfruta dos piores índices de aceitação popular, fato que o coloca na linha de tiro de uma crise de proporções extraordinárias.

E é bom lembrar: mesmo afastada, Dilma continua tendo nas mãos diversas prerrogativas da Presidência da República, cargo que continuará ocupando até o julgamento final do impeachment. Nem ministros o golpista Temer poderá nomear (leia aqui). Portanto, essa valsa que um suposto governo provisório ensaia é mesmo encenação que visa construir em torno do golpe um arremate de legitimação que não está previsto na Lei.

Leia mais: * Temer planeja criar conselho para acelerar privatizações (Estadão) * O pau vai comer (vídeo com Paulo Henrique Amorim) * Crise sem vencedores: PT, Temer e oposição em baixa nas pesquisas (El País) * Dilma pode ter governo paralelo contra Temer (Brasil 24/7) * Sindicalistas vão tentar impedir mudança de direitos (Estadão) * O xadrez do nó econômico com Michel Temer (Luis Nassif, GGN) * MST faz marchas e invade terras contra o impeachment (Estadão) * Governo que venha a surgir do golpe vai enfrentar classes populares (Paulo Sérgio Pinheiro, Ópera Mundi) * As instituições de 88 e o governo dos demônios (João Feres Jr, via GGN) * Resenha: os idos de março e os vindos de abril (do blog).

Em tempo: nem bem compartilhei este post no twitter e recebi a sutil e inteligente observação de @ale_benevides: "o erro está na essência. Nem que fosse um governo de notáveis se justificaria". Ótimo, Alê: "nem que fosse". Qualquer governo de Temer é - e será - ilegítimo e desqualificado...
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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Tempos difíceis

Personagens que não frequentavam as colunas  políticas desde o tempo dos militares começam  a se aproximar sorrateiramente dos golpistas.  Observem bem a mansidão com que eles caminham e se possível espantem a praga.

Leio no noticiário que Temer - uma das figuras mais iníquas e medíocres da história política brasileira e que agora abre as asas sobre a presidência da república - encontrou tempo para receber a "benção" do Malafaia - que todo mundo sabe quem é. Uma imagem apropriada para estes tempos: compungido e cabisbaixo, tenso e o tempo todo amedrontado com as promissórias que assina todos os dias em busca de respaldo para o golpe que está liderando, o vice-presidente deve ter ouvido algumas recomendações bíblicas do "pastor", como se o próprio "bispo" fosse capaz de entender os trechos que pinça do Livro Sagrado.

No conjunto, é uma farsa. Ambos sabem muito bem como chegaram até ali: são testas de ferro menores da liquidação que empresários e outros representantes da elite brasileira estão promovendo com a nação. Fernando Henrique, Serra, Anastasia, Aécio, Cunha, Skaf, uma verdadeira quadrilha de maus elementos, derrotados em sucessivas eleições,  arredios e avessos às profundas questões sociais que o país vive, fizeram a escolha da ilegitimidade para compensar o que são. Se é verdadeiro o balcão de negócios que montaram com o Temer para viabilizar sua eventual posse na presidência (e tudo indica que é), o Brasil está diante de seu pior momento. É uma pena que tenhamos chegado a esse ponto.

Mas a História, é claro, não termina. Em primeiro lugar, porque nada ainda está decidido. Como disse alguém, política é como nuvem: você olha, e está de um jeito; olha de novo e o jeito é outro. A dinâmica dos movimentos sociais, a indignação geral que ainda não cessou de crescer, aqui e no exterior, desde a baixaria construída por Cunha e exibida em rede na votação do dia 17, o que resta de dignidade nas instâncias da Justiça, tudo isso são variáveis que podem alterar o rumo dos acontecimentos. Além disso, ganha consistência a proposta de eleições gerais antecipadas para contornar a formidável crise de representação em que se constitui um eventual governo Temer. E há a desobediência civil. Tudo tem que ser feito, na minha opinião, para inviabilizar a administração golpista. Vamos ver...

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terça-feira, 26 de abril de 2016

Fábio Konder Comparato: processo do impeachment foi inteiramente forjado

Em entrevista dada ao portal do Instituto Humanitas Unisinos, o jurista afirma que "o presidente da Câmara dos Deputados e seus auxiliares forjaram grosseiramente a existência de um crise de responsabilidade da Presidente Dilma Rousseff". Frente a isso, ainda que o processo seja de responsabilidade da Câmara, o STF não pode se manter indiferente à sua ilegalidade.

Para o jurista, a artificialidade do processo tem como causa a postura irredutível das elites brasileiras em aceitar a democratização social da chefia do executivo ocorrida com as eleições de 2002. Na interpretação possível das palavras de Comparato, data de então o processo de conspiração que agora atinge seu auge - facilitado pela crise econômica vivida pelo Brasil nos últimos anos. Leia aqui a entrevista de Comparato.

Leia ainda: Brasil está se despedindo da política praticada nos últimos 80 anos. Entrevista com Luiz Wernek Viana, também publicada no portal IHU.
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domingo, 24 de abril de 2016

Nassif volta à carga e Temer, escondido pela Globo, só tem 8% de aprovação dos eleitores.

O jornalista Luis Nassif, não contente em ter desancado o STF inteiro ao cobrar da Suprema Corte alguma coerência na avaliação da farsa em que se transformou o golpe parlamentar contra a presidente eleita Dilma Rousseff, agora vai para cima da jugular do decano do tribunal, o ministro Celso de Mello ("um blefe" no STF, segundo o editor do GGN).

Nassif não faz muita cerimônia para definir a atuação de Mello: "seu conhecimento enciclopédico não está a serviço do discernimento. Na economia, seria um cabeça de planilha: o sujeito capa de montar planilhas complexas, séries estatísticas enormes, correlacionando índices de fome incorreta". Um néscio... Vale a pena ler o documento divulgado aqui via Blog do Miro.
Enquanto isso...
Temer nos faz lembrar do filme
O homem que não estava lá, dos irmãos Cohen: "não

sou um barbeiro; eu só estava lá", diz o personagem
principal da trama, vítima de acontecimentos que não 
controla.

Na foto ao lado, no banco de trás do veículo, o pulha Michel Temer, escondido das vistas do povo - que ele teme mais que o demo -, segue inseguro sobre o seu destino.

E não é para menos: pesquisa feita pela Globo, mas divulgada sem nenhum alarde, dá conta de que mirrados 8% dos entrevistados apoiam sua eventual chegada à Presidência da República (leia aqui). Pior que isso, só mesmo o Filipão depois dos 7x1 para a Alemanha.
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José de Abreu - o fato e as explicações para o fato

O ator José de Abreu co-protagonizou uma cena lamentável de agressividade e de descontrole num restaurante em São Paulo (leia aqui), ao que parece suficientemente comprovada neste vídeo. Não sei se um flagrante desses faz parte do arsenal de artimanhas que a campanha golpista usa para desmoralizar o movimento que defende a presidente Dilma. O que eu sei é que, se verdadeira, a atitude do cara não acrescenta absolutamente nada aos princípios de tolerância com os quais os conservadores brasileiros - essa elite burra que tem em Skaf, Cunha e Temer representantes da pior espécie na vida nacional - não conseguem conviver. Fazendo o que fez, Abreu se coloca no mesmo lugar e nível daqueles que o ofenderam no restaurante. Dar para a mídia golpista uma deixa dessas, permitir que a luta pela democracia se confunda com baixarias dessa espécie, é uma derrota.

As explicações de José de Abreu dadas no Faustão de 24 de abril: assista aqui

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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Luis Nassif divulga carta aberta aos ministros do Supremo Tribunal Federal

O jornalista Luis Nassif, editor do  Jornal de Todos os Brasis (GGN), divulgou hoje na carta aberta aos ministros do Supremo Tribunal Federal. O documento, de forte apelo cidadão, questiona a passividade e aparente indiferença dos integrantes do STF diante da possibilidade de que se cometa o mais ruinoso golpe contra as instituições democráticas e contra a vontade popular.

Ao se dirigir aos integrantes da Suprema Corte brasileira, Nassif afirma: "os senhores estão desertando da linha de frente da grande luta civilizatória e deixando a nação exposta a esse exército de zumbis, querendo puxar de novo o país para as profundezas". 

O documento do jornalista surge no momento em que se agigantam no mundo inteiro movimentos de indignação contra a articulação conservadora que quer transformar o país em pastagem do grande capital e dos interesses privados. Tudo indica que o clamor da sociedade contra os facínoras Paulo Skaf, Michel Temer e Eduardo Cunha adquiriu um novo ritmo e cresce por toda a parte o coro contra a palhaçada em que se transformou a sessão da Câmara no domingo passado, 17 de abril.

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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Folha de S. Paulo revela bastidores da votação contra Dilma: escândalo é o maior da história do país

Covil é isso...

O jornal Folha de S. Paulo publica hoje reportagem de Eliane Trindade sobre a verdadeira rede de banditismo que se instalou em Brasília nos dias que antecederam a votação que decidiu pelo processo de impeachment contra a presidente Dilma. A apuração feita pela jornalista é um retrato chocante do caráter hipócrita dos parlamentares que integraram a bancada do golpe. No meio deles, além de Bolsonaro, há de tudo um pouco: desde pastores embusteiros até frequentadores de orgias em festas regadas a dinheiro destinado ao suborno do voto. A sociedade brasileira está diante de uma calamidade de proporções inéditas.

Leia a íntegra da matéria transcrita integralmente do site GGN, de Luis Nassif. Se preferir, leia aqui o texto publicado na Folha.

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terça-feira, 19 de abril de 2016

O colapso da representação parlamentar: golpistas jogam o Brasil no fundo do poço


Momentos de rara tristeza e decepção na votação que culminou com o golpe parcial da destituição da presidente Dilma. Nem mesmo o pior dos facínoras imaginaria um conjunto de picaretas cujo discurso articulado em nome do conservadorismo obscurantista estivesse tão afinado: Deus, família, maridos, torturadores, ladrões disfarçados de presidente da Câmara, empresários e aproveitadores de todo o tipo. 

No final das contas, um retrato do país como nunca se viu. Para que se tenha uma ideia, o número de votos obtidos pelos 367 deputados que votaram pelo golpe é inferior ao número total de votos obtidos por Dilma no 2o. turno das eleições de 2014. Apenas 35 parlamentares de todos os deputados da Câmara foram eleitos com votos recebidos em seu próprio nome; os demais chegaram lá pela via do voto proporcional dado às respectivas legendas, um subterfúgio constitucional que não recomenda quem se vale dele.

E o episódio mais inusitado e cômico de todo o desenrolar da votação foi este: a declaração da deputada Raquel Muniz que se derramou em louvor da honestidade do marido, prefeito de Montes Claros (MG). Nem 24 horas depois, Rui Muniz, o cônjuge da moça, foi preso pela Polícia Federal acusado de... corrupção. É dessa matéria prima que os conspiradores são formados. Veja abaixo a matéria do Globo News sobre o assunto:


* E para que se tenha uma ideia do DNA golpista, não deixe de ler a matéria da BBC: * "Enquanto me dava choques, Ustra me batia com cipó e gritava", diz torturado aos 19 anos. E mais esta: * A vergonha mundial ainda protege o Brasil (Tijolaço) * Deputados se comportaram como bêbados em um estádio de futebol (Irish Times, via Opera Mundi).
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Dilma Rousseff: dignidade e respeito

Esse não é o início do fim;
 é o início da luta 
(Dilma Rousseff)
A presidente da República, eleita pela maioria dos brasileiros - privilégio legítimo e legal que nenhum dos facínoras que querem seu afastamento consegue exibir - é a primeira e principal vítima do banditismo que domina a Câmara Federal. Liderados por Paulo Skaf, Eduardo Cunha e Michel Temer, marginais que desmerecem o lugar que ocupam tornaram Dilma Rousseff símbolo do fundo mais triste a que a política brasileira foi levada pelos interesses privados. Mulher, progressista, lutadora pelo fim da ditadura, um golpe que a derrube representa um retrocesso incalculável para toda a nação.

No amargo e sincero pronunciamento feito ontem, a presidente emocionou o país. Uma pena que os jornais sequer tenham se mantido fieis à cobertura que suas palavras merecem. Nossa mídia, bem mais rápido do que seria esperado, já se prepara para bajular os escroques que querem se apossar do poder. Foram poucos os veículos tiveram a honra de destacar o desabafo da presidente. Veja aqui a matéria sobre a mensagem de Dilma, leia os trechos de sua fala e dissemine seu conteúdo onde for possível: é um desabafo que deve ser visto como um roteiro entristecido da crise que estamos vivendo.

Leia mais: * Para jornal colombiano, política brasileira se converteu em circo (Opera Mundi) * Unasul: impeachment de Dilma ameaça a democracia e a segurança jurídica da região (OM) * Impeachment: por Deus, pela família, por Cunha (Blog do Sakamoto) * Deus derruba a presidenta do Brasil (El País).
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segunda-feira, 18 de abril de 2016

União pela dignidade: fora Temer, fora Cunha. Eleições gerais em outubro!

Entendo que só há uma saída para o impasse vergonhoso que a Câmara criou para a vida política brasileira
com a decisão de ontem: greve geral contra Temer e contra Cunha só suspensa com a renúncia dos dois.
Além disso, a convocação de eleições gerais em outubro para a escolha de todos os mandatos
dos poderes executivo e legislativo através de emenda constitucional enviada por Dilma
ao Congresso. Vamos atropelar os canalhas...


Leia mais: * É estarrecedor que um vice conspire abertamente contra a presidente (Dilma Rousseff) * A admissibilidade do impeachment e a continuidade da crise política (IHU) * O que pesa contra Temer na Lava Jato (Carta Capital) * Cunha entrega o impeachment e deve receber a anistia em troca (El País) * Chamado de gangster, Cunha sai mais forte para tentar barrar sua cassação (Uol) * Marina diz que Temer é responsável por crise (Folha) * PT quer que Dilma proponha redução de mandato e novas eleições (Valor).
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domingo, 17 de abril de 2016

O que a vida quer da gente é coragem...

Esse mundo é meu... 
mas demora a chegar
(Riobaldo, 
Grande Sertão)
Todo caminho da gente é resvaloso.
Mas também, cair não prejudica demais.
A gente levanta, a gente sobe, a gente volta!
O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim:
Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,
Sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem. 
Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria.
E ainda mais alegre no meio da tristeza
(Guimarães Rosa)

Fiquei meio envergonhado da nossa Câmara. Essa mesma Câmara que já foi palco de momentos gloriosos de resistência e que agora se ajoelha naquelas cenas de submissão ao poder corrupto e cínico de Paulo Skaf, Eduardo Cunha e a Michel Temer. Se vivos fossem, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Mário Covas, Márcio Moreira Alves, estariam constrangidos pelo apagamento de sua memória.

Tem nada não... a História é mais velha e mais experiente: sempre é dela a última palavra. Vamos para as ruas e para o Senado. O golpe não passará.

Enquanto isso, análises, reflexões e tudo o que for preciso para entender a dimensão de um país incompleto.

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sábado, 16 de abril de 2016

Em defesa da democracia e dos direitos sociais. O golpe não passará...

O agravamento da crise política brasileira tem um aspecto que considero positivo: a transparência que define quem é quem no cenário nacional, qual é o caráter dos bandos e dos capos que querem o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República, aqueles que não aceitam até agora o resultado das eleições de 2014 e que armam uma grande farsa jurídica para impor à sociedade a agenda do capital e de seus interesses privados. 

O descaramento das facções pró-golpe sequer tem sido discreto: Paulo Skaf, Michel Temer, Eduardo Cunha envergonham quem lhes dá a mão e têm seus nomes de tal forma associados à corrupção que acabaram criando repúdio até mesmo entre o que há de pior na consciência jurídica e política nacional. Não é para menos: as notícias que circulam em todo o país dão conta da implementação de uma agenda de reformas tão logo consigam usurpar o poder, caso se sobreponham à repulsa nacional que avança sobre suas pretensões. São indignos das posições que ocupam e nos envergonham perante a história, o presente e o futuro...

Depois de meses de sangramento do país, torço para que nessa reta final de resistência democrática, os placares com os quais a mídia reforça seu divórcio dos pressupostos de um jornalismo sério, confirmem a mentira que estão querendo, pela insistência, transformar em verdade. Nosso país e nossa jovem democracia há de vencer e o golpe não passará.

Animem-se com a leitura destas matérias: * Temer anuncia reforma trabalhista, previdenciária e terceirização * Eis o programa do golpe * O preço vergonhoso que a oposição aceitou pagar  * Muro em Brasília cria violência simbólica que o país desconhecia * Com medo do crescimento do apoio a Dilma, Temer volta a Brasília correndo * New York Times: impeachment é liderado por corruptos e hipócritas * Para não dizer que não falei de Temer * Precisamos admirar o Cunha * Lewandowski dá sinal verde para STF impedir erros no impeachment. * E esta, lembram? Em mensagem, Cunha cita repasse de R$ 5 milhões para Michel Temer (Folha).

Para quem não entendeu a diferença entre a realidade e a metáfora sobre ela

Em março, manifestantes golpistas fazem a saudação
 nazi-fascista que os inspira
No Ceará, ontem, vigília em defesa de Dilma metaforiza o "viver sem razão" de Vandré: olhos vendados, fantoches do poder, sonâmbulos, como sugeriu Saramago no seu genial Ensaio Sobre a Cegueira (leia aqui)
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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Brasília, 2016: o muro deve cair

A arquitetura das nossas elites concebida para
 a votação do golpe em Brasília, como a de Berlim, lembra
 o que elas representam
O grafite posto no muro de Berlim em 1973 insiste na legenda da liberdade em oposição à segregação de qualquer espécie, à semelhança de outros muros contestados em outras épocas e em outros lugares.

No Brasil, em pleno século XXI, nossas elites estão próximas de nos deixar como herança a vergonha de uma sociabilidade cindida que lhes agrada: sem respeito às eleições, sem dignidade parlamentar, sem fundamento jurídico algum, sem caráter - é o conjunto de enunciados de suas práticas e que vêm sendo corporificadas nessas figuras abjetas: Paulo Skaf, Eduardo Cunha, Michel Semer, Gilberto Kassab, Paulinho "da força", Antonio Imbassahy, José Serra, Aécio Neves, Fernando Henrique Cardoso, Aloisio Nunes, Marta Suplicy. O muro de Brasília deve cair!

* Vejam só: Urbanistas dizem que Brasília foi feita para a paz e não para a guerra (Uol) * José Murilo de Carvalho: "A política do ódio se generalizou. Não há inocentes"(El País).
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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Os limites do governo Dilma e o assalto das elites (via Outras Palavras)

Paulo Skaf e Michel Temer, representantes do que há
de pior e de mais sórdido das elites brasileiras
.
Ainda é preciso fazer muito por um Brasil democrático, sem fome e sem miséria. Mas a pequenez dos argumentos pelo impeachment demonstra como está viva a luta de classes 
Por Cristina Fróes de Borja ReisFernanda Graziella Cardoso e Vitor Eduardo Schincariol 
22 milhões de brasileiros, 10% da população, saíram da extrema pobreza entre 2011 e 2014, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas): 3,1 milhões da região Norte, 13,8 milhões do Nordeste, 3,5 milhões do Sudeste, 1 milhão do Sul e 0,7 milhão do Centro-Oeste. Em 2014 o Brasil finalmente não estava no mapa da fome mundial da FAO.
A libertação de uma vida de privações é um direito humano fundamental, e não pode ser tratada como mera estatística. É injusto tamanho êxito ser esquecido ou diminuído por argumentos de menor relevância ou que desvelam um desprezo que não pode ser outro senão fruto de perda de espaço na luta de classes: “mas gerou inflação”, “mas não se sustenta”, “só pra ganhar votos”, “mas não ensina a pescar”, “à custa de quem trabalha de verdade”, “inclui um monte de malandro que forja dados para receber o benefício”, “mas causa desvio de verbas e corrupção”, “ainda temos muitos problemas” (leia aqui o artigo integral publicado originalmente no Blog da Redação do Ponto de Cultura Compartilhada - Outras Palavras).
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domingo, 10 de abril de 2016

O Brasil pré-moderno

Superar o atraso das nossas práticas
 políticas e sociais ainda é um percurso recheado
de deboche e de uma estúpida irreverência:
isso ainda vai nos custar décadas de superação.
Não foi preciso ir muito além das primeiras páginas da Crítica da Modernidade, de Alain Touraine, para que eu fosse logo fazendo analogias com o Brasil. Acho que estamos mesmo passando por um processo de existência política comparada, se for possível inventar um novo modo das práticas sociais: vira e mexe, está na nossa frente algum outro paradigma que nos provoca suspiros de desânimo, tantos são os obstáculos que estamos tendo que superar para curtir algum conforto com a nossa realidade. 

Dia desses, por exemplo, fiz referência em aula a uma manifestação de massa em Estocolmo que reuniu milhares de cidadãos para reivindicar a adoção da jornada máxima diária de 6h30 de trabalho. Os líderes do movimento, oriundos de sindicatos, partidos, veículos de comunicação e até empresários têm um argumento imbatível para pedir o que estão pedindo: a Suécia já é uma sociedade de abundância, onde questões como crise, renda, desemprego, saúde, moradia, saneamento etc foram praticamente resolvidas e superadas pelo capitalismo organizado do Estado do Bem-Estar Social; e chegou a hora de pedir benefícios lúdicos e culturais. Os suecos querem ler mais, estudar mais, viver sua vida privada e social com qualidade redobrada... Tudo indica que estão perto de conseguir. Enquanto isso, por aqui, os articuladores do golpe que quer derrubar Dilma já nem escondem mais suas verdadeiras intenções: detonar a legislação de proteção ao trabalho assim que puserem os pés no Palácio do Planalto. Em termos de direitos sociais e de modernidade, são trogloditas (continue a leitura).
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77% dos brasileiros querem a cassação de Cunha, o homem que conduz o golpe na Câmara

Paulo Skaf, cúmplice de Eduardo Cunha no golpe
 contra Dilma, exibecinismo e desprezo pela
 opinião pública ao lado do maior 
facínora da nossa história recente.

A maior prova da profunda crise política brasileira nem é o fato de que as elites se recusem a aceitar o resultado das urnas e queiram derrubar uma presidente contra a qual não há uma única acusação.

A maior prova da crise não é essa, mas o fato de que as elites aceitem que um facínora como Eduardo Cunha lidere o golpe em nome da representação parlamentar.

Vamos passar uma semana inteira vendo o Brasil ajoelhado diante dessa farsa.

Leia: Três em cada quatro brasileiros defendem cassação de Eduardo Cunha (Folha)
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quinta-feira, 7 de abril de 2016

A massa crítica do golpe


Outras Mídias: "no Brasil, a isenção tributária é a principal fonte de

renda dos mais ricos". Quem paga esse custo?

Outras Mídias acaba de reproduzir um interessante artigo publicado no  site da ONU no Brasil que permite compreender e explicar melhor qual é o papel que nossa elite empresarial tem na crise política que estamos vivendo.

Segundo o texto,  o topo da pirâmide social brasileira é ocupado por um grupo de 71 mil pessoas (0,5% do total da população adulta) que percebe uma média de R$ 300 mil mensais, mas que recolhe inexpressivos 7% em impostos, bem menos que a média dos estratos intermediários dos declarantes do imposto de renda que é de 12%. Comparativamente à massa de assalariados, essa diferença aumenta de forma exponencial. Para os autores do estudo, há uma explicação - entre outras - para essa distorção que está entre as maiores do mundo: "a docilidade com que o Congresso Nacional trata as elites" (leia aqui a íntegra do artigo).

O assunto é polêmico e remete a duas ordens de considerações que dizem muito sobre o cenário político que o país vive na atualidade: o desequilíbrio fiscal que está na base da crise econômica que o Brasil enfrenta, em primeiro lugar; em segundo, a construção claramente mentirosa da campanha da Fiesp cujo argumento, frente ao texto a ONU, perde toda a lógica: a resistência do empresariado em bancar o custo dos privilégios que foram inventando ao longo dos anos, em alguns casos imprimindo suas regalias como política de estímulo aos investimentos - como foram as sucessivas desonerações fiscais praticada no 1o. mandato de Dilma. O custo que resulta da convergência entre esses dois fatores acaba mesmo caindo nos ombros da sociedade. Somos todos nós que arcamos, nas várias áreas sociais, com o ônus das práticas conspícuas da nossa elite. Dá para entender perfeitamente, por isso, o ódio ideológico que as campanhas pró-impeachment instilam no imaginário social.

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terça-feira, 5 de abril de 2016

Destempero e sandice contra a democracia


Numa manifestação ocorrida ontem no Largo São Francisco, palco de batalhas históricas pelo respeito às normas constitucionais, falaram Hélio Bicudo e Janaína Paschoal. O ambiente era parecido com um "fim de feira", tal era o estado de prostração das poucas pessoas que estavam no local, algumas delas transeuntes que passavam por ali e que foram pegos de surpresa com o estado de descontrole da "jurista" (assista ao vídeo), ela própria proclamando, aos gritos, uma auto-referência vaidosa assustadora segundo a qual "somos muitas Janaínas" e que o Brasil não é um país que se curva "às cobras". Do que é exatamente que ela falava?

Tenho a impressão de que está faltando poder de discernimento a Janaína Paschoal e os motivos para isso são muitos, um em especial: a percepção que a advogada tem de que o pedido de  impeachment que ela apresentou à Câmara não tem sustentação e que a aventura na qual se meteu com o saudoso Hélio Bicudo está perto de levá-la a uma grande decepção.

Se estivesse na dúvida, o destempero de Janaína Paschoal teria me deixado convencido de que o afastamento de Dilma é um golpe com ingredientes de sandice. Tomara que não aconteça...

* Sugestões: leia Por que repercutimos mais Janaína Paschoal do que Marco Aurélio Mello? (blog do Alceu Castilho) e assista na TV Estadão a explicação que a professora da USP dá para sua performance no Largo São Francisco. Por último: Lágrimas a quem se pretende tirar da presidência (Estadão, com uma crítica severa ao título da matéria)

* Cena final: Senador engana Janaína e faz com que ela apoie o impeachment de Temer (Estadão)
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sábado, 2 de abril de 2016

O Brasil que nos espera... Deus nos livre!

Paulo Skaf, símbolo do atraso
 da burguesia brasileira
Junto com Temer e Cunha, Paulo Skaf não é apenas um dos cabeças da conspiração golpista; é também, o portador da intenção de reduzir a cinzas os direitos sociais, justamente ele, dirigente de uma federação que reúne empresários parasitas que vivem às custas de subsídios, desonerações, lucros estratosféricos (veja aqui o comentário de Luis Nassif e a matéria de Outras Palavras sobre o tema).

Até agora, não há uma única notícia, uma única declaração, um único indício de que as facções que conspiram contra a Constituição tenham qualquer projeto consistente e coerente voltado para a sociedade brasileira, caso cheguem ao governo pela via do golpe. O que há são sinais de que planejam maximizar os ganhos do capital, acabar com as regulações da economia e dos direitos sociais e introduzir reformas que penalizam os valores do trabalho.

Não vejo isso com surpresa. As elites empresariais e financeiras brasileiras, além do fraco desempenho em termos de investimento e inovação - o que faz com a economia afunde na crise - são também parasitárias: acumulam capital graças a benefícios fiscais, desonerações, proteção monetária através de juros subsidiados e possivelmente formam uma das aristocracias que desfruta de margens de lucros mais vergonhosas no mundo inteiro. No conjunto, constituem uma burguesia que se acostumou a viver da burla, ou alguém já ouviu dessa turma algum projeto de envergadura social avançada e progressista que ela tenha ao menos sugerido? O golpe contra a presidente e contra a Constituição é a vitória da apropriação privada da riqueza nacional, com todo o custo histórico que isso vai representar.

Por isso, o desfecho do processo que quer o impeachment de Dilma - que chegou onde está pela vontade da maioria dos brasileiros em eleições transparentes e livres - é, na verdade, uma ameaça sombria sobre o futuro, como deixam claras as matérias abaixo. Recomendo a leitura de todas elas:

* Manifesto de juízes do trabalho contra a imposição de retrocessos aos direitos trabalhistas (Boitempo) * As 55 ameaças aos seus direitos (Sakamoto, IHU) * Conta do impeachment será do trabalhador (Antonio Augusto de Queiroz, Diap) * A elite brasileira quer encerrar o ciclo do PT no poder a qualquer custo (Mário Sérgio Conti, El País) * Governo de Temer causaria a maior crise social da história do Brasil (Roberto Requião, JB) * Meu Deus do céu! Essa é a nossa alternativa de poder (Ministro Luis Roberto Barroso, Estadão) * Fator Fiesp: golpismo de Skaf e empresários reeditam 1964 (Alceu Castilho, Outras Palavras) * Empresários redobram pressão contra o governo e cobram Congresso (María Martín, El País) * Classe C vê crise de perspectiva e teme passo atrás (vídeo do Valor Econômico) * Cid Gomes pede impeachment de Temer (Nathalia Passarinho, O Globo) * Agenda Econômica já divide o PMDB (Estadão) * A oligarquia depenou o PT (Elio Gaspari, Folha).
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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Não vai ter golpe!

Praça da Sé põe as coisas da política
 no devido lugar
Um país inteiro coberto de indignação

Vista aérea da Praça da Sé, ontem. Em todo o Brasil, cresce o movimento para barrar
o golpe contra Dilma e contra a Democracia: empresários parasitas do dinheiro público e
políticos corruptos e oportunistas se escondem do sentimento de rejeição da sociedade
pela conspiração que organizaram. Não passarão!
(veja outras imagens do El País e um resumo dos protestos em cada cidade)