quinta-feira, 7 de abril de 2016

A massa crítica do golpe


Outras Mídias: "no Brasil, a isenção tributária é a principal fonte de

renda dos mais ricos". Quem paga esse custo?

Outras Mídias acaba de reproduzir um interessante artigo publicado no  site da ONU no Brasil que permite compreender e explicar melhor qual é o papel que nossa elite empresarial tem na crise política que estamos vivendo.

Segundo o texto,  o topo da pirâmide social brasileira é ocupado por um grupo de 71 mil pessoas (0,5% do total da população adulta) que percebe uma média de R$ 300 mil mensais, mas que recolhe inexpressivos 7% em impostos, bem menos que a média dos estratos intermediários dos declarantes do imposto de renda que é de 12%. Comparativamente à massa de assalariados, essa diferença aumenta de forma exponencial. Para os autores do estudo, há uma explicação - entre outras - para essa distorção que está entre as maiores do mundo: "a docilidade com que o Congresso Nacional trata as elites" (leia aqui a íntegra do artigo).

O assunto é polêmico e remete a duas ordens de considerações que dizem muito sobre o cenário político que o país vive na atualidade: o desequilíbrio fiscal que está na base da crise econômica que o Brasil enfrenta, em primeiro lugar; em segundo, a construção claramente mentirosa da campanha da Fiesp cujo argumento, frente ao texto a ONU, perde toda a lógica: a resistência do empresariado em bancar o custo dos privilégios que foram inventando ao longo dos anos, em alguns casos imprimindo suas regalias como política de estímulo aos investimentos - como foram as sucessivas desonerações fiscais praticada no 1o. mandato de Dilma. O custo que resulta da convergência entre esses dois fatores acaba mesmo caindo nos ombros da sociedade. Somos todos nós que arcamos, nas várias áreas sociais, com o ônus das práticas conspícuas da nossa elite. Dá para entender perfeitamente, por isso, o ódio ideológico que as campanhas pró-impeachment instilam no imaginário social.

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