domingo, 10 de abril de 2016

O Brasil pré-moderno

Superar o atraso das nossas práticas
 políticas e sociais ainda é um percurso recheado
de deboche e de uma estúpida irreverência:
isso ainda vai nos custar décadas de superação.
Não foi preciso ir muito além das primeiras páginas da Crítica da Modernidade, de Alain Touraine, para que eu fosse logo fazendo analogias com o Brasil. Acho que estamos mesmo passando por um processo de existência política comparada, se for possível inventar um novo modo das práticas sociais: vira e mexe, está na nossa frente algum outro paradigma que nos provoca suspiros de desânimo, tantos são os obstáculos que estamos tendo que superar para curtir algum conforto com a nossa realidade. 

Dia desses, por exemplo, fiz referência em aula a uma manifestação de massa em Estocolmo que reuniu milhares de cidadãos para reivindicar a adoção da jornada máxima diária de 6h30 de trabalho. Os líderes do movimento, oriundos de sindicatos, partidos, veículos de comunicação e até empresários têm um argumento imbatível para pedir o que estão pedindo: a Suécia já é uma sociedade de abundância, onde questões como crise, renda, desemprego, saúde, moradia, saneamento etc foram praticamente resolvidas e superadas pelo capitalismo organizado do Estado do Bem-Estar Social; e chegou a hora de pedir benefícios lúdicos e culturais. Os suecos querem ler mais, estudar mais, viver sua vida privada e social com qualidade redobrada... Tudo indica que estão perto de conseguir. Enquanto isso, por aqui, os articuladores do golpe que quer derrubar Dilma já nem escondem mais suas verdadeiras intenções: detonar a legislação de proteção ao trabalho assim que puserem os pés no Palácio do Planalto. Em termos de direitos sociais e de modernidade, são trogloditas (continue a leitura).
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