sexta-feira, 20 de maio de 2016

Contra a sociedade e contra a República, desgoverno Temer desmancha o Brasil. Mas o povo reage...

Multidão vaia Temer em show de Carlinhos Brown
(golpistas já começam a se esconder da ira popular)

Num país onde as instituições estivessem em poder da sua plena responsabilidade - inclusive as que zelam pela Justiça - minha impressão é a de que alguns espaços de Brasília estariam hoje totalmente vazios. O mesmo talvez acontecesse na pirâmide da burguesia erguida na Avenida Paulista. Mas é utopia. Na prática, o desgoverno Temer continua na sua obstinação estúpida de desmontar o país, colocar por terra as conquistas sociais, arbitrar contra o interesse público; em resumo: consolidar a concentração da riqueza, erigir o interesse privado como núcleo do poder político e alimentar um profundo desprezo pela sociedade.

Vamos ver de perto esse episódio que envolve a presidência da EBC. O modelo que foi levado em conta na montagem da estatal de comunicação (e não governamental) foi o britânico: um conselho curador com representantes da sociedade e um presidente com mandato estipulado em lei. Em outras palavras: um órgão estratégico que visava reduzir o papel hegemônico que as empresas privadas de comunicação tem na formação - e manipulação - da opinião pública. Da mesma forma que ocorreu com o Conselho de Jornalismo (cuja finalidade era exatamente a mesma), também a EBC foi demonizada pelas elites, que só sossegam agora com a intervenção ilegal de Temer provocada pela demissão de seu presidente ainda no mandato pleno que lhe conferiu Dilma. Para demitir Ricardo Melo, o interino feriu a legitimidade de seu mandato e descumpriu a norma legal sem mesmo entender a complexidade do assunto. Em qualquer lugar do mundo, um governante qualquer que fizesse isso estaria fora do seu cargo.

O gesto é arbitrário e prepotente, mas é antes de tudo imbecil (no sentido psiquiátrico do termo, de qualquer forma semelhante à desastrada fusão do MCTI com o MC ou à insensível extinção do Ministério da Cultura, o que mostra que é uma imbecilidade de projeto) porque ignora e joga no lixo décadas de estudos sobre sociologia das mídias e coloca em seu lugar o conceito provinciano e pré-moderno de um canal governamental de comunicação, justamente nesta nossa era de explosão informacional. Além disso, a canelada de Temer - que certamente ouviu esse esbulho chamado Eduardo Cunha  para nomear o substituto de Ricardo Melo - põe à mostra uma guinada nas normas da democracia brasileira, pois que o interino na presidência da República age fora da lei, e consagra o "direito" que o governo passa a ter de se imiscuir na esfera pública a partir de sua própria ótica (leia aqui).

O caráter nocivo da interinidade de Temer, contudo, não para. São de hoje (6a feira, 20 de maio) as notícias segundo as quais o desmanche dos programas sociais está sendo  mais radical do que se pensava: o ministro das cidades, Breno Araújo, suspendeu todas as novas contratações do programa Minha Casa, Minha Vida; o MEC anunciou o corte de 20% das verbas destinadas a alunos em condição de vulnerabilidade social, recurso sem o qual esses estudantes não podem permanecer na cidade onde estudam e, por isso, devem abandonar seus estudos.

Rede desmoralizada: Globo não consegue evitar as imagens
que a acusam de golpista: anunciantes começam a pular fora
Esse rápido painel do caos administrativo e político em que o país mergulhou depois do afastamento temporário de Dilma Rousseff, mostra uma disposição perversa do próprio Temer e de todos os que o apoiam. Na verdade, diante da ausência de quaisquer indicativos de políticas coerentes - ainda que de austeridade - em direção a objetivos de governo, cresce por toda a parte a indignação e a insegurança até mesmo entre os golpistas. Como é um sujeito investigado em inúmeros escândalos de corrupção, ele próprio sofrendo o processo de impeachment e já condenado pelo TRE de São Paulo, Temer não tem a confiança nem integral nem parcial de ninguém e todos sabem que ele não resiste muito tempo onde está, daí o caráter de butim e de saqueamanento que sua estada no Palácio do governo tem. Dizem os que circulam por ali que a ambição de enxugar o Estado deixou de ter sentido figurado e passou a se traduzir em pequenos furtos nos próprios gabinetes ministeriais; até caixa de clips estão levando para casa. De seu lado, com uma personalidade fraquíssima, o interino sofre a contínua manipulação de Cunha, de Skaf, de Meirelles e de qualquer outro pulha que ele encontrar por perto para ajudá-lo a fazer o que menos sabe: governar. Insisto numa Marcha sobre Brasília para acabar com isso.

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