quinta-feira, 5 de maio de 2016

Cunha

Michel Temer e Eduardo Cunha: uma dupla de safados no controle da política brasileira.
Fora com eles!
O desfecho que o caso de Eduardo Cunha teve no STF esta tarde alivia, mas não desfaz inteiramente o nó no estômago que qualquer brasileiro sente - até mesmo os mal intencionados - quando se dá conta de que o que foi decidido por unanimidade pelos ministros é o resultado da indigência à qual nossas elites (empresários liderados pelo pulha Paulo Skaf em primeiro lugar) levaram a política nacional. 

Talvez seja o caso de aproveitar esse episódio para virar uma página: Cunha está fora e deixa um rastro de ilegalidades que ainda vai se desdobrar no reverso de sua participação no golpe juntamente com Temer. O que não acabou - e a página neste caso não pode ser virada - é a batalha pela desarticulação integral do golpe que agora se transferiu para o Senado. Penso que a virtual desarticulação do aparelho de Estado que vigora hoje no país constitui-se na oportunidade de dois movimentos simultâneos: a desobediência civil e a ocupação dos espaços físicos do poder pelos movimentos sociais. A exemplo do que fizeram as deputadas Erundina e Maria do Rosário na Câmara e a exemplo do que estão fazendo os estudantes em São Paulo e no Rio, esse repúdio ao golpe traduzido na repulsa à progressiva institucionalização da intransigência conservadora é o que me parece ser o momento da virada. Os equipamentos de atuação dos golpistas têm que ser inviabilizados, da rua onde Temer mora até o edifício do Senado, em Brasília. 

De outro lado, a morte política de Cunha fez emergir um volume inédito de denúncias que precisam ser fartamente divulgadas. São elas que põem contra a parede todos os grupos que estiveram, de ponta a ponta, envolvidos até agora no golpe: tudo deve ser postado nas redes sociais, enviados a deputados, juízes, senadores... de tal forma que a votação dessa farsa em que se transformou o relatório Anastasia seja bloqueada. Eleições já! - esse me parece ser o caminho para a restauração da normalidade da vida nacional e para a reconstrução da representação política da sociedade.

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