domingo, 1 de maio de 2016

Salários, direitos trabalhistas e direitos sociais: os alvos principais dos golpistas. Assista.

O problema das elites é descobrir um caminho
para quebrar a representação
social e simbólica de Dilma (leia aqui).
 

O gráfico que é mostrado no vídeo retrata a evolução do salário mínimo entre o fim da ditadura militar e 2016. A curva ascensional, ininterrupta a partir de 2003 quando Lula chega ao governo, comprova uma política sistemática de transferência de renda das elites para os setores populares - o que alimentou (entre outras causas) a expansão do mercado consumidor interno e a fase virtuosa do crescimento da economia nacional. O movimento é ascensional mesmo depois de explodir a crise de 2008.

Neste 1o. de maio, nada melhor do que observar esses dados e perceber que reside aí, nessa paulatina mudança de perfil da pirâmide da distribuição da renda nacional, um dos incômodos insuportáveis para os golpistas: deter esse processo, reduzir o espaço de construção do arcabouço jurídico que protege o trabalho e as várias demandas sociais, é este o verdadeiro e principal objetivo do movimento que quer derrubar Dilma.

Assista ao vídeo Por que eles querem tomar o poder, disponível também na matéria do site Jornalistas Livres, e acompanhe a explicação que o economista César Locatelli dá para a importância do salário mínimo no contexto econômico e porque o seu aumento deixa os empresários putos da vida.

Pois é esse o ciclo que constitui a motivação das elites conservadoras para arquitetar a farsa do impeachment. Como demonstraram as jornalistas Christina Froes, Fernanda Graziella e Vitor Schincariol no Blog da Redação do site Outras Palavras (leia aqui), "22 milhões de brasileiros, 10% da população, saíram da extrema pobreza entre 2011 e 2014, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas): 3,1 milhões da região Norte, 13,8 milhões do Nordeste, 3,5 milhões do Sudeste, 1 milhão do Sul e 0,7 milhão do Centro-Oeste. Em 2014 o Brasil finalmente não estava no mapa da fome mundial da FAO", e esse é um processo que a impossibilidade de superar as dificuldades da economia brasileira pelo caminho da ótica conservadora (que Dilma erroneamente adotou depois de sua posse em 2015) tenderia a se ampliar (leia aqui o balanço do Ministério do Trabalho sobre o aumento real do salário mínimo).

Os movimentos dessa espécie de Governo de Vichy que Temer está montando no leilão dos interesses do Estado que promove diariamente e que a imprensa não se cansa de mostrar à opinião pública como um espaço paralelo e consolidado de poder, visam no final das contas descentrar o eixo político governamental na direção de um retrocesso visto como excessivamente radical até mesmo em sua comparação com experiências feitas em outras partes do mundo. Parece, no entanto, que alguma coisa está saindo fora do roteiro: as reformas previdenciárias e trabalhista, por exemplo, vão ter que esperar "um clima político mais favorável" (leia a matéria do Estadão a respeito). A ideia de privatizar tudo o que for possível, por exemplo, aumentou a insegurança nos segmentos de média acumulação capitalista, dado o caráter concentracionário que uma transferência radical de patrimônio estatal para os maiores empresários provocaria.

Não tenho nenhuma certeza de que o cenário de afastamento de Dilma, ainda que o processo ganhe fôlego com a votação no Senado, esteja definido. Desqualificada como é, a base de apoio político a Temer não parece dispor de força para levar adiante a tarefa de liquidar direitos e patrimônio público como está sendo anunciado. Depois, há a imponderabilidade da reação social e eventualmente jurídica à consumação do crime...
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