quinta-feira, 30 de junho de 2016

Desesperados com a possibilidade de cair fora, Temer e quadrilha mostram quem realmente são

Você compraria um carro usado por um desses caras ou
deixaria que algum deles dormisse na sua casa?
A chance de que Michel Temer e o bando que o cerca na interinidade caiam fora do Planalto não é grande, mas tem crescido bastante, em especial depois das sucessivas vezes em que a farsa que motivou a abertura do processo de impeachment de Dilma ficou fragilizada e desmoralizada com provas contundentes de que as tais  pedaladas fiscais não existiram. São dois os termômetros que medem essa curva favorável ao retorno da presidente eleita. 

O primeiro é o crescimento extraordinário de factoides plantados na mídia que têm como alvo o PT. A irresponsabilidade dos "grandes" jornais é tão grande que os verbos passaram a ser conjugados quase todos no condicional ou no futuro ("teria", "dirá", por exemplo, são os mais usados quando se trata de meras especulações nesse universo espetacular de denúncias que atinge todos os partidos,  todos os dias e de todas as formas, embora as manchetes privilegiem na sua ênfase o PT e seus dirigentes). O segundo termômetro é o humor dos senadores que não querem que sua imagem e a da instituição à qual pertencem fiquem comprometidas com as evidências de que estamos mesmo diante de um golpe. Qual é hoje o parlamentar da nossa câmara alta que gostaria de ter seu nome associado a Janaína Pascoal, a Aécio Neves ou a Anastasia? Vale a pena ler - indico pela 2a vez - o que Elio Gaspari escreveu sobre o contexto dessa cultura de nervosismo que cerca o Senado: Há golpe.

Nenhum desses indícios, contudo, é tão forte quanto a enxurrada de favores, negociatas, promessas e mentiras que o núcleo do interinato tem colocado em prática para fazer crescer de algum modo sua base de apoio. Afora o loteamento do "ministério" - que se transformou num plantel inédito de incompetências e nulidades, com exceção dos banqueiros que ocuparam as pastas da área econômica que estão ali por motivos óbvios -, nem mesmo a lógica da contenção de gastos tem sido observada. Ontem, 4a, feira, 30 de junho, as concessões feitas por Temer em pouco mais de um mês de "governo" atingiram R$ 125,4 bilhões, entre gastos e renúncias fiscais (leia aqui).

O resultado desse estado de transe em que o país vive foi mais uma vez descrito com esmero pelo colunista da Folha, Janio de Freitas, para quem o simples fato de que Temer tenha recebido indignadamente Eduardo Cunha no Palácio Jaburu dá mostras de uma "moralidade duvidosa" do interino, indissociável de práticas cotidianas que, segundo entendo, desmoralizaram de tal forma seu protagonista que está difícil imaginar que o país possa se sujeitar à sua permanência definitiva no cargo.

* Ponto de encontro (Janio de Freitas) * Por acordo, Cunha pode renunciar à presidência da Câmara (Folha) * Relatório da PF mostra que Jucá alterou MP para favorecer Gerdau (Estadão) * Para votar pelo impeachment, senador pede presidência da Itaipu (GGN) * Temer sanciona nova lei das estatais sem vetar itens polêmicos (Valor) * O "generoso" Temer concede bondades em meio ao ajuste fiscal (El País) * Temer se reúne com 500 empresários do varejo (Valor) * Primo de Anastasia e mais 14 viram réus por lavagem de dinheiro em MG (Valor).
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