domingo, 14 de agosto de 2016

Pokémon retrata o mapa da desigualdade social em São Paulo

Ginásios e pockestops na
 região da Av. Paulista

Mundo virtual, desigualdade real


Uma interessante matéria de Guilherme Solari acaba de ser publicada no site Catraca Livre sobre uma consequência colateral da explosão do pokémon: a aparente ingenuidade do game acabou por registrar um instantâneo da desigualdade social na cidade. Ainda que descontadas as diferenças de densidade populacional entre as áreas centrais e periféricas de São Paulo, as imagens disponibilizadas pela própria Niantic, empresa proprietária do jogo, mostram o desnível de acesso ao aplicativo que resulta da desigualdade de renda - fato que pode invalidar a tese de que a rede é democrática e socialmente linear.

Ginásios e pockestops em
 Capão Redondo
No Capão Redondo, por exemplo, da mesma forma que em bairros do interior do estado, o que chama a atenção é o que a matéria identifica como pokédesertos - vazios preenchidos pela marginalidade e pela interdição social da interatividade.

Convém não exagerar no sociologismo que pode transformar em conclusão precipitada e vulgar a ideia de que estamos diante de uma barreira cultural intransponível ou coisa parecida. No entanto, é bom apontar para o fato de que os déficits estruturais de distribuição da renda são variáveis presentes em todos os setores em que a vida se manifesta, ou como insinua Solari, o mundo pode nos surgir como virtual, mas isso não é suficiente para eludir a materialidade dos desequilíbrios sociais. 

Vale a pena ler a íntegra do texto publicado em Catraca Livre: * Pokémon Go: este jeito e viver (Christian Dunker, Boitempo) * Como Pokémon Go vira um mapa da desigualdade. Sugiro ainda a leitura do artigo publicado na revista Famecos, da PUCRS: * Ainda somos os mesmos? Representações midiáticas da juventude em movimentos sociais, ontem e hoje.
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