sábado, 10 de setembro de 2016

A curiosa - e explosiva - história da demissão do Advogado Geral da União

Eliseu Padilha, da Casa Civil, articulador com papel de destaque no "governo" Temer, especialmente na facilidade com que gera crises. Torço para que ele seja bem sucedido o tempo todo

O jornalista Josias de Souza repercute hoje no seu blog do Uol as informações que a revista Veja publica neste fim de semana sobre o motivo que teria levado Michel Temer a demitir o advogado geral da União, Fábio Medina Osório: a intenção do governo, em especial do chefe da casa civil, Eliseu Padilha, em acobertar a operação Lava Jato. Qual o motivo do acobertamento?

A postagem de Josias de Souza precisa ser lida na íntegra para que se tenha uma pálida ideia do caráter de quem governa hoje o Brasil, um staff que vai muito além de Temer. As suspeitas de que o ex-advogado geral da união esteja falando a verdade e de que tenha sido substituído por Grace Fernandes Mendonça, justamente porque ela aparentemente está comprometida com o abafamento da Lava Jato, são suficientes para deixar o processo que afastou Dilma Rousseff da Presidência parecido com confissões de adolescentes. O esquema é da pesada e seu personagem principal é Eliseu Padilha, um articulador sinuoso cuja determinação em ser eminência parda sem que tenha competência para isso, pode contaminar a república inteira e levá-la ao colapso.

Segundo Josias de Souza, "o que o ministro demitido afirma, com outras palavras, é o seguinte: Eu queria cumprir com a minha obrigação. Mas o ministro Padilha, hoje o mais influente auxiliar do presidente da República, quis me forçar a prevaricar, em nome da tranquilidade que o governo precisa assegurar aos políticos suspeitos que o apoiam no Congresso. Tudo isso apenas dez dias depois da efetivação de Michel Temer no cargo de presidente da República" (leia o post do Governo quer abafar Lava Jato, acusa ex-AGU).

Leia ainda o desabafo de Fábio Medina Osório: Governo com superministro acaba mal (Estadão)

Em tempo: Dos grandes jornais em circulação no Brasil, no impresso ou no digital, é preciso ressalvar que apenas um, o El País, vem dando conta do desafio que é o de manter o leitor brasileiro bem informado sobre os vários ângulos da crise em que estamos mergulhados. Não há tema sobre o qual seus repórteres não tenham se debruçado com empenho e vigor jornalístico. É um alívio... 

Como exemplo disso, sugiro a leitura da matéria da repórter Marina Rossi sobre os desmandos da PM de São Paulo: Vocês não queriam ser presos pela ditadura? Agora estão sendo (10/09/16)
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