sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Empresários dão sinais de impaciência com Temer

Estado de ânimo dos empresários mostra impaciência com a
demora dos golpistas em detonar direitos sociais e trabalhistas
O presidente das lojas Riachuelo está cada vez mais furioso com a CLT. Em entrevista ao Estadão, Flávio Rocha usa como justificativa para o que ele considera excesso de regulação da legislação de proteção ao trabalho o que acontece em uma de suas empresas: "Tenho um call center em Natal, com 1500 funcionários, e o Estado define qual é a temperatura que tenho que colocar no termostato de lá" (leia a matéria inteira). Se servir como exemplo do que pensa o empresariado que por enquanto ainda festeja o golpe contra a presidente eleita Dilma Rousseff, o pensamento tosco e chulo de Rocha é bem uma amostra do que vem por aí. Imaginem só, regular a temperatura num ambiente de 1500 pessoas na tépida e aprazível Natal... Só pode ser coisa de comunista. 

Pessoalmente, acho que o capitalismo brasileiro, na contra-mão do que acontece no mundo todo, vai se especializando em três coisas: no parasitismo, na sonegação e na selvageria contra os direitos dos trabalhadores. É o fruto acabado de um sistema atrasado, pouco inovador, de baixo nível de competitividade e disposto a ir para o pau se for preciso para preservar seus lucros estratosféricos em todos os setores. O resultado é o que se vê: a manipulação do Estado na figura inerte de Michel Temer, um paspalho, e o agravamento de uma crise política que ainda vai nos levar a um confronto civil.

O exemplo do cara da Riachuelo é apenas o mais evidente porque o moço vocifera em voz alta, mas o que aconteceu nesta semana com o balão de ensaio da introdução do regime de trabalho de 12 horas merece atenção porque pode ser um condicionante de natureza contratual para o trabalhador que o levará a condições sub-humanas no desempenho de suas atividades. A coisa é tão séria que foi o próprio ministro do trabalho, Ronaldo Nogueira, quem disse que a medida, caso aprovada, levaria o Brasil de volta à escravidão (leia aqui), apressando-se em desmentir - por ordem de Temer - o que ele próprio havia dito no dia anterior. Já o presidente da Confederação Nacional da Indústria, aquele que sugeriu 80 horas de trabalho, justamente porque quer que o governo se esfole, foi mais claro: "não existe mais nada imexível no mundo", disse ele, provavelmente referindo-se indiretamente a direitos conquistados.


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