quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Políticas neoliberais agravam a desindustrialização do Brasil

Não é difícil perceber como os arranques do crescimento industrial
estão relacionados com políticas econômicas desenvolvimentistas.
A Era Temer pode tornar o declínio apontado pela ONU em tendência
irreversível e nos fazer retornar a uma economia subsidiária do

grande capital. Vai ver que os golpistas querem isso mesmo...
Se alguém ainda tem dúvidas sobre o sentido subalterno e empobrecedor das políticas neoliberais aplicadas à economia brasileira, recomendo a leitura da matéria da BBC - feita com base em relatório técnico da ONU - sobre o processo precoce de desindustrialização do Brasil. Segundo o documento, a indústria brasileira entrou em declínio acentuado depois dos anos 80 e hoje representa apenas 10% do PIB nacional, um dos mais baixos níveis em todo o mundo.

No entanto, ao contrário do que os golpistas de plantão podem se apressar em afirmar, esse não foi o resultado da implementação das políticas econômicas desenvolvimentistas que têm no Estado seu agente regulador e indutor. Ao contrário: foi justamente a diminuição dessas práticas e a crescente hegemonia dos interesses privados - da qual o PT equivocadamente não se livrou - o que criou gargalos para o crescimento industrial - com a reversão das expectativas do desenvolvimento do setor em benefício da agricultura primária de exportação e com a crescente informalização da economia.

Vale a pena ler a matéria, uma espécie de prova cabal de que as políticas econômicas neoliberais  - como já ficou evidente no mundo inteiro - reforçam o padrão associado e subalterno aos interesses globais do capital financeiro. Internamente, só mesmo o grande capital é que tira proveito disso. A rigor, foi justamente a ameaça de que esse pêndulo se invertesse em favor de uma maior intervenção do Estado e de uma mais intensa redistribuição da renda os fatores que estiveram na base do golpe que tirou Dilma Rousseff do governo.

Para agravar todos os pecados que Michel Temer vem cometendo em sua passagem (espero que rápida) pelo Planalto, o documento da ONU foi divulgado justamente no momento em que, tal qual um caixeiro viajante, o golpista andou de pires na mão em Nova York em busca de investimentos no país (leia aqui). Com um cenário de atraso nas práticas de gestão do Estado e de colapso na sua representação política, ficou de mãos abanando.
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